Matéria
dos jornalistas do jornal e site o Estado de São Paulo, Fábio Serapião e Fausto
Macedo revela que o sono de justos dos socialistas pernambucanos pode estar
perto do fim e implicar figuras importantes do PSB no estado. É que o dono do
famoso avião em que Eduardo Campos viajava quando morreu num acidente e
apontado pela Polícia Federal de ser o responsável por entregar propina de
empreiteiras ao ex-governador de Pernambuco, João Carlos Lyra, assinou acordo
de delação premiada e vai entregar tudo e todos.
Além
dele, também optaram pela delação Eduardo Freire Bezerra Leite e Apolo Santana
Vieira. Os três empresários pernambucanos foram alvos da operação Turbulência,
responsável por investigar o arrendamento da aeronave Cessna Citation PR-AFA
que caiu em Santos e vitimou o então candidato Eduardo Campos. João Lyra deve
prestar depoimento nas próximas semanas.
Segundo
a reportagem do Estadão, além dos fatos envolvendo o avião, João Lyra negociou
com os investigadores o detalhamento de todas as transações financeiras
realizadas por seu grupo cujos valores são oriundos de superfaturamento de
obras públicas e de esquemas envolvendo empreiteiras e o governo de Pernambuco.
Embora
a operação Turbulência tenha origem na queda do avião, a PF compartilhou
informações com a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e com o grupo de
investigadores da Procuradoria-Geral da República. Para chegar aos verdadeiros
proprietários do jatinho, a PF mapeou uma teia de empresas de fachada
supostamente utilizadas para lavar e escoar dinheiro oriundo de obras públicas
para campanhas políticas. Foram investigados repasses da Camargo Corrêa e da
OAS que teriam origem em desvios praticados em obras da Petrobras em Pernambuco
e na transposição do Rio de São Francisco.
Na
denúncia oferecida pelo MPF contra 18 pessoas envolvidas no caso, o MPF apontou
que os três empresários lideravam o grupo criminoso que lucrava com “a prática
de agiotagem”, lavagem de dinheiro proveniente de superfaturamento de obras
públicas e pagamento de propina para agentes públicos. Embora essa primeira
denúncia tenha sido arquivada, a investigação prossegue em Pernambuco.
“A
organização atuava por meio do controle de movimentações financeiras, tanto de
empresas de fachada quanto do caixa paralelo de empresas em atividade, ora de
maneira eventual, através da autorização de movimentações bancárias em nome de
empresas coligadas à organização, ora de forma continuada, no caso das empresas
gerenciadas pelos membros da organização”, explicou o MPF em sua denúncia
contra João Lyra e outras 17 pessoas.
À
época da deflagração da Turbulência, o Partido Socialista Brasileiro (PSB), do
qual Eduardo Campos era presidente, reiterou a sua confiança na “conduta sempre
íntegra do ex-governador” e o “apoio incondicional ao trabalho de investigação
da Polícia Federal e do Ministério Público, esperando que resulte no pleno
esclarecimento dos fatos.” A Camargo Corrêa afirmou que a empresa foi a
primeira a colaborar e que segue à disposição da Justiça. A OAS não se
pronunciou. Abaixo o link com a matéria do Estadão.
http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/dono-de-aviao-que-caiu-com-eduardo-campos-psb-assina-delacao-premiada/
