O
Sindicato dos Policias Civis (Sinpol) irá procurar o Ministério Público de
Pernambuco (MPPE) nesta segunda-feira (27) para questionar o andamento das
investigações da morte do empresário Paulo César Barros Morato, encontrado em um motel em Olinda, no Grande Recife. De
acordo com o presidente do Sinpol, Aureo Cisneiros, peritos papiloscopistas
foram impedidos de realizar a coleta de digitais dentro do quarto da vítima,
uma das acusadas de participação no esquema investigado pela Operação
Turbulência.
De
acordo com o inquérito, empresas de fachada movimentaram mais de R$ 600 milhões
e financiaram a campanha do ex-governador Eduardo Campos em 2010 e a compra do
avião que o transportou durante sua campanha presidencial em 2014.
O
fato causou "estranheza" à categoria. A ordem para barrar a perícia,
considerada padrão, teria partido do secretário de Defesa Social (SDS),
Alessandro Carvalho. “Foi o que a categoria nos passou. Essa investigação está
fora do padrão. Os peritos chegaram para fazer a coleta de digitais e outros
detalhes, mas receberam uma ordem para nem entrar no quarto. Vamos pedir ao
Ministério Público de Pernambuco (MPPE) que apure essa conduta da investigação
da morte dele”, contou Cisneiros.
Além
de acionar o MPPE, o sindicato ainda encaminhará um ofício ao secretário
Alessandro e a gestora da Polícia Científica, Sandra Santos, pedindo
explicações do porquê da ordem. “Queremos saber o motivo dessa ordem. É um fato
de uma enorme gravidade já que ele [Morato] era investigado da Operação
Turbulência, um esquema de corrupção no nosso Estado. A coleta dessas digitais
é importantíssima porque vamos saber se existiam outras pessoas com ele no
quarto. Está tudo muito estranho”, acrescentou o presidente do Sinpol.
Em
coletiva na SDS na quinta-feira (23) o secretário em exercício de Defesa
Social, Alexandre Lucena, tentou explicar a polêmica. A perícia complementar no
motel chegou a ser anunciada, mas não autorizada. De acordo com a pasta, a
delegada responsável pelo caso, Gleide Ângelo, não teria colocado em seu
relatório a necessidade de continuar a isolar o local. Esse fato será alvo de
apuração administrativa.
Com
o título “Pelo fim das intromissões políticas na polícia que investiga os
crimes”, o sindicato chegou a postar uma nota de repúdio em sua página no
Facebook na sexta-feira (24). No texto, a categoria coloca em dúvida a imparcialidade
das investigações em torno da morte do empresário. G1
