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Polícia Federal em Pernambuco (PF) não descarta novos mandados de prisão e
deflagrações que podem desencadear uma nova fase da Operação Turbulência. A
possibilidade foi divulgada ontem, após agentes federais receberem da Polícia
Civil os materiais encontrados com Paulo César de Barros Morato no quarto do
motel Tititi, onde o empresário foi encontrado morto, em Olinda.
Objetos como pen drives, celulares e anotações serão periciados para a identificação de novas provas à investigação. “O que interessa a nós são as análises de mídia e dos aparelhos telefônicos, além das anotações. Essas apurações serão importantes para saber se há novos indícios, como a existência de outros participantes na quadrilha, repasses bancários ou até mesmo alguma pista da morte do empresário”, destacou o chefe de Comunicação Social da PF, Giovani Santoro.
Segundo
ele, caso sejam constatadas novas provas, novos mandados de prisão poderão
surgir, além de haver a possibilidade dos quatro empresários presos na
deflagração da operação na última semana (João Carlos Lyra Pessoa de Melo,
Eduardo Freire Bezerra Leite, Apolo Santana Vieira e Arthur Roberto Lapa Rosal)
serem, novamente, intimados a prestarem depoimentos para a PF. “Não descartamos
está possibilidade. Todos (empresários) estão presos e podem ser novamente
intimados a comparecer na PF”, destacou Santoro.
Mesmo
após terem passado seis dias da descoberta do corpo de Morato - tempo em que os
objetos ficaram na posse da Polícia Civil - os federais acreditam que isso não
atrapalhará as análises. “Os pen drives e celulares também foram periciados
pela Civil para apurar pistas que cheguem à motivação da morte dele. Isso não
vai atrapalhar nosso trabalho“, complementou Giovani Santoro, acrescentando que
investigadores aguardam a liberação do veículo Jeep Renegade, encontrado no
motel, que ainda está de posse da Polícia Civil.
Outros
materiais como relógios, óculos e produtos de higiene pessoal serão devolvidos
para a família do empresário. O prazo inicial para conclusão das perícias da PF
é de até 30 dias.
A Operação Turbulência apura que empresas de fachada movimentaram mais de R$ 600 milhões
e financiaram a campanha do ex-governador Eduardo Campos em 2010 e a compra do
avião que o transportou durante sua campanha presidencial em 2014.
O corpo do ex-investigado da Operação Turbulência ainda passa por perícias no
Instituto de Medicina Legal (IML) do Recife, em Santo Amaro. Fontes ligadas ao
órgão informaram à Folha de Pernambuco que restam apenas à conclusão dos laudos
toxicológicos e histopatológicos. Este último se dá pela coleta de fragmentos
do tecido biológico para constatar se a causa da morte foi por infarto.
Sobre
o pedido de federalização das investigações feito pelo deputado estadual
Edilson Silva (PSOL), Giovani Santoro afirmou que a decisão é tomada em
Brasília, pela Procuradoria Geral da República (PGR). “Se for comprovada morte
natural, não há como se pedir federalização. Se a Polícia Civil comprovar que
foi queima de arquivo, aí sim, o caso pode passar para a PF”, esclareceu. Folhape.
