terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Microcefalia chega a 20 estados e Pernambuco lidera com 874 casos

           Mais seis estados, totalizando 20 unidades da federação, registraram casos suspeitos de microcefalia, que já somam 2.041 notificações neste ano. Desse total, porém, 134 diagnósticos de malformação do cérebro relacionado ao vírus zika foram confirmados, 102 acabaram descartados e 2.165 continuam em investigação, segundo boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira.

Pela primeira vez, Minas Gerais, Mato Grosso, Espírito Santo, Pará, São Paulo e Rio Grande do Sul aparecem no boletim epidemiológico do governo federal. Pernambuco, onde a epidemia foi inicialmente identificada, continua com o maior número de notificações: 874 sendo investigadas, 29 confirmadas e 17 descartadas. O Rio de Janeiro tem 57 casos sendo apurados -- 34 a mais que o registrado no último boletim do governo federal, divulgado na semana passada.

Desde o último balanço, uma semana atrás, o número de casos suspeitos subiu cerca de 15%, passando de 1.761 para 2.041. Até então, segundo a pasta, o Brasil tinha menos de 200 registros de microcefalia por ano em todo o território nacional. O surto levou o governo federal a decretar, em 11 de novembro, emergência em saúde pública de importância nacional. Em seguida, veio a confirmação de que a malformação estava relacionada ao vírus zika, transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti.

O número de bebês que morreram com microcefalia suspeita de ter sido causada pelo zika também aumentou, de 19 casos, até o balanço anterior, para 27, dos quais 26 estão em investigação e uma morte já foi confirmada. Houve ainda dois óbitos, ambos no Rio de Janeiro, que acabaram descartados pelas equipes de saúde. É a primeira vez que o Ministério da Saúde divulga o boletim com o número de casos descartados, segundo protocolos definidos recentemente.

O boletim mostra que a suspeita de microcefalia relacionada ao zika já chegou a 549 municípios de 20 unidades da federação em 2015. Em 18 estados, segundo a pasta, está comprovada a circulação do vírus, mas todo o país corre perigo, alerta Claudio Maierovitch, diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde.

Todos os estados do Nordeste, com exceção de Sergipe, além de Roraima, Pará, Amazonas, Rondônia, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte, já registraram casos de transmissão interna. São locais em que a circulação do zika está provada.

O repelente que o governo anunciou que distribuiria a grávidas ainda está em fase de negociação para ser adquirido, segundo o diretor do Departamento de Vigilância do Ministério da Saúde. De acordo com Maierovitch, a pasta se reunirá esta semana com produtores para verificar custos, capacidade de produção, entre outros detalhes. Ele procurou não focar no repelente como uma ação importante da política. O globo.