domingo, 9 de junho de 2019

Especial: A Saga da “Anália” e sua quadrilha de heróis, vaqueiros e heroínas juvenis no Festival da Globo Nordeste


           O raiar do sol do último dia 05 de junho na Vila de Guanumbi, ou são Domingos, zona rural de Buíque, teve um colorido diferente, uma luminosidade que brilhava aos olhos de 50 crianças e adolescentes que despertavam para um dos dias mais importantes de suas vidas. 


   Para muitos, a primeira oportunidade de cruzar a fronteira da vila aonde seus pais nasceram e os colocaram para estudar na Escola Municipal Professora Anália Simões de Oliveira Vaz. A Rua da Conceição, a onde fica o educandário, era para boa parte desses garotos e garotas o destino mais longe que tinham alcançado.

     Mas naquela quarta-feira, esses meninos e meninos pintaram a esperança em seus rostos e cruzaram a fronteira de Guanumbi, ultrapassaram a divisa de Buíque, viram, alguns pela primeira vez, a cidade de Arcoverde passar pelos seus olhos através das janelas dos ônibus que o prefeito do município colocou à disposição desses artistas juvenis para disputarem, de forma inédita, o Festival de Quadrilha da Rede Globo Nordeste, em Goiana. Eram como pequenas TVs passando a uma velocidade de 80 Km por hora e nos corações o aperto e a ansiedade do mundo que lhe esperava. Nos olhos e no pulsar, os laços das famílias que ficaram em casa em meio a expectativa e a torcida pelo sucesso dos seus rebentos. 

      “Foi um trabalho árduo, de meses de ensaio, de trabalho diário, envolvendo a direção da escola, professores, funcionários, pais de alunos, instrutores, artistas e principalmente essas crianças, jovens, que saíram da zona rural de um município do agreste pernambucano, já na divisa com o Sertão, para mostrar todo o seu talento diante dos olhos de todo o Nordeste, através do festival da Globo. Só esse fato faz desses meninos e meninas uns vitoriosos. É uma experiência para eles guardarem pelo resto da vida”, afirmou a diretora Vivianny Patricy.
       Além dos dois ônibus cedidos, o prefeito do município, Arquimedes Valença, ainda colocou à disposição dos alunos e da direção da escola um caminhão para levar as alegorias da quadrilha e mais uma Van para transportar educadores e equipe técnica. Aliado a toda estrutura dada pelo prefeito e a secretária de Educação, Marilan Belisário, os alunos e ‘artistas da quadrilha da Anália Simões’ não descansaram nem um minuto para realizarem seu sonho. Todo o figurino foi montado com recursos arrecadados entre amigos, rifas e ajuda dos pais. Tiveram o suor desses garotos e garotas, o mesmo suor do vaqueiro em meio à  caatinga em busca do seu gado. O gado deles era os aplausos do público da quadra do SESC de Goiana. E eles acharam!

       Com 1.850 alunos, 30 salas de aula, cerca de 70 funcionários e mais de 30 anos de história, a Escola Anália Simões se destacou em 2017 quando elevou seu IDEB em 50% no comparativo com 2015, saindo de 2.0 para 3.0. Agora, com a quadrilha junina, a escola ganhou a luz da ribalta, com um elenco de ouro formando por pequenos sonhadores.

   Antes da alegre partida dos jovens 'vaqueiros', de seguirem para Goiana e adentrarem ao ‘palco’ do festival, o prefeito saudou os bravos artistas e viu naqueles jovens a força de um povo que não teme desafios. “Não poderíamos nunca de estar junto à essas crianças, adolescentes que demonstraram tanta força de vontade, tanto talento, tanta garra para sair daqui, de São Domingos, e representar pela primeira vez Buíque neste grandioso festival de quadrilha que reúne grupos profissionais de todo o estado. Vê a alegria daqueles meninos e meninas me encheu o coração de alegria e orgulho”, disse Arquimedes Valença.
      Sob o comando do multiartista Alan Shymytty, que tem 20 anos de história com seu grupo cultural em Arcoverde, tendo se destacado com seu ‘Boi Arcoverde’ ganhando títulos no Carnaval do Recife e presença marcante no São João da cidade, a quadrilha junina da Anália Simões levou para a quadra do SESC Goiana o tema ‘A Saga do Vaqueiro’, aonde em cenas e danças juninas levaram para o público momentos da bravura, da religiosidade, da determinação e da cultura desses heróis do Sertão, além da temática religiosa. O tema não poderia mais ser propício, pois Guanumbi, terra natal desses artistas, 2ª maior bacia leiteira de Pernambuco, tem em sua tradição desde o século passado a Missa do Vaqueiro, que se repete ano a ano.
           Essa magia da vida do Vaqueiro chegou à quadra do SESC sob a voz forte e poética de um garoto, o pequeno José Breno, levando ao público o canto e a poesia do sertanejo, dos desbravadores da caatinga. Breno era a representatividade da força, da garra e da arte desses jovens que saíram lá do ‘mato’, o mato do matuto, que foram desacreditados, mostraram serem fortes como todo sertanejo e levaram para todo o Nordeste o nome da vila de São Domingos, o nome de Buíque. Como nos versos do poeta, esses meninos e meninas trazem no coração o bom sentimento do vaqueiro...

Quando o coração é bom, 
Se faz o bem até sem perceber.
Sair por aí ajudado a todos,
Mesmo que uns não cheguem a
Agradecer,
Aliviando os fardos do próximo,
Nem pensando em
recompensa receber.
(Humberto Freire)


     Segundo a coordenadora Flávia Anabel, tudo isso “foi um sonho que nos deixou alegre, pois muitos chegaram a desacreditar esses alunos que mostraram garra, coragem e talento”. Para Alan Shymytty, que dividiu com Matheus a direção do espetáculo e trabalhou com os meninos durante 03 meses, cuidando inclusive dos detalhes nos momentos anteriores à apresentação, um dos grandes momentos da quadrilha da Anália Simões foi quando a platéia aplaudiu a abertura e repetia essa vibração a cada cena apresentada. “Eles levaram para a quadra o talento deles, levaram a cultura deles, a cultura da vaquejada para o espetáculo e para o Nordeste, por isso saíram vitoriosos, independente do resultado”, afirmou.
    A quadrilha junina da Escola Anália Simões  disputa com outras 38 equipes  em busca da classificação para permanecer no festival e ir até a final regional, que será realizada no próximo dia 23 de Junho, reunindo as quadrilhas campeãs dos nove estados do Nordeste. 

     A expectativa é de que ao som dos berrantes tocados pelas 'vaqueiras', que deram um espetáculo à parte na belíssima apresentação da Anália, o nome de Guanumbi (São Domingos) e Buíque sigam em frente pelos caminhos do sucesso no Festival, porque vitoriosos já foram. 

Eles escreveram uma nova saga. Uma saga recheada de suor, esperança, trabalho, fé, arte, cultura e alegria: A saga da Anália Simões e seus vaqueiros e vaqueiras juvenis.

Fotos:PC Cavalcanti - Clique e veja o álbum completo da apresentação da Anália Simões 

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