quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Arcoverde e região perderão médicos com saída de cubanos do Programa Mais Médicos

Estela e Sonia foram as primeiras cubanas a chegarem à Arcoverde pelo
Mais Médicos
           Algumas unidades de saúde de Arcoverde e de vários municípios que compõem a Regional de Saúde com sede na cidade deverão ser atingidas pela saída dos médicos cubanos do Programa Mais Médico do País como anunciou hoje o governo de Cuba em protesto contra o presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL).

Os primeiros médicos cubanos chegaram à Arcoverde em dezembro de 2013. Na época as médicas Estela Flores e Sônia Mendonça chegaram para atuar nos postos de Saúde da Família do Alto Cardeal e de Aldeia Velha, na zona rural do município. Elas faziam parte de um grupo de seis (06) profissionais solicitados. Em outubro de 2017 o município recebeu suas últimas profissionais do Programa Mais Médico. Não há informações precisas no site da prefeitura de quantos profissionais do programa atuam hoje em Arcoverde.

A decisão do governo cubano de retirar seus mais de 8,5 mil profissionais de medicina do Brasil foi explicada em uma nota oficial. Diz a nota:

“O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, com referências diretas, depreciativas e ameaçadoras à presença de nossos médicos, declarou e reiterou que modificará os termos e condições do Programa Mais Médicos, com desrespeito à Organização Pan-Americana da Saúde e ao acordo desta com Cuba, ao questionar a preparação de nossos médicos e condicionar sua permanência no programa à revalidação do título e como única forma de se contratar individualmente”, diz o texto do Ministério da Saúde cubano.

“Nestes cinco anos de trabalho, cerca de 20 mil MÉDICOS cubanos atenderam mais de  113 milhões de pacientes, em mais de 3.600 municípios, chegando a cobrir, com eles, um universo de até 60 milhões de brasileiros, na época em que constituíam 88% de todos os médicos participantes do programa. Mais de 700 municípios tiveram um médico pela primeira vez na história”, diz o documento.
Um levantamento feito em 2015 apontava que na sexta Regional de Saúde (VI Geres) com sede em Arcoverde, existiam 50 médicos do Programa Mais Médicos.

O Projeto Mais Médicos foi lançado em julho de 2013 pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) com o objetivo de ampliar o numero de médicos nas regiões de maior vulnerabilidade social, particularmente nos pequenos municípios, municípios da região Norte (Amazônia) e nas periferias das grandes cidades de todo o País.

Diferente do que se pregava nas fake news e campanhas eleitoras, o “Programa Mais Médicos” prioriza em sua seleção no primeiro item “os médicos formados em instituições de ensino superior brasileiras”. Somente após a sobra de vagas não ocupadas pelos brasileiros, elas eram destinadas aos médicos estrangeiros, não apenas cubanos.

Com aprovação de 94% dos usuários, de acordo com uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e recomendado por um estudo da ONU, os cubanos eram a principal força do programa com mais de 8,5 mil profissionais. Do total de 17.071, há 5.247 brasileiros e 3.271 de outras nacionalidades, segundo o Ministério da Saúde.

A decisão do futuro presidente de fazer nova convocação para médicos fazerem parte do “Programa Mais Médicos”, não deve mudar muito a realidade do País, muito pelo contrário, porque os atuais médicos cubanos começarão a ir embora e somente no ano que vem os novos médicos brasileiros se habilitarão as essas vagas. Resta saber se vão ocupar as vagas nas pequenas cidades, distritos e sítios dos municípios sertanejos e da região Norte.


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