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quarta-feira, 4 de março de 2026

MPC-PE recomenda prioridade a previdência e alerta prefeito de Santa Filomena sobre gastos com shows

               O equilíbrio das contas públicas voltou ao centro do debate em Pernambuco após uma recomendação formal expedida pelo Ministério Público de Contas do Estado de Pernambuco (MPC-PE). O órgão orientou o prefeito de Santa Filomena, Pedro Gildevan Coelho Melo, a assegurar prioridade absoluta ao pagamento das despesas obrigatórias do município, especialmente as contribuições previdenciárias dos servidores públicos.

A recomendação foi assinada pelo procurador Gustavo Massa, titular da 6ª Procuradoria de Contas, e tem como base informações extraídas do sistema Tome Contas, ferramenta de fiscalização que monitora a execução orçamentária dos municípios pernambucanos.

De acordo com o levantamento, a Prefeitura de Santa Filomena empenhou cerca de R$ 1,1 milhão em 2025 com a contratação de artistas e realização de shows por meio de inexigibilidade de licitação. Paralelamente, em janeiro de 2026, o município formalizou um acordo de reparcelamento de débitos previdenciários no valor aproximado de R$ 600 mil.

No documento, o MPC-PE é enfático ao afirmar que, havendo atraso ou parcelamento de dívidas previdenciárias, a gestão municipal deve se abster de realizar despesas com festas, eventos ou apresentações artísticas no exercício seguinte. O órgão destaca que o parcelamento não elimina a irregularidade decorrente do atraso, sendo um mecanismo excepcional para situações emergenciais — e não um instrumento de rotina.

A recomendação possui caráter orientador, mas o descumprimento injustificado pode resultar em medidas mais severas. O Ministério Público de Contas poderá acionar o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) para suspender imediatamente contratações de shows e estruturas de eventos no município.

Além disso, o caso poderá ser encaminhado ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para apuração de eventual ato de improbidade administrativa. O alerta também pode impactar diretamente o julgamento das contas do gestor, uma vez que o município passa a ser monitorado com maior rigor pelos sistemas de fiscalização.

A manifestação do MPC-PE reforça a necessidade de observância do princípio da prioridade do interesse público, sobretudo no que diz respeito às obrigações previdenciárias, consideradas despesas de natureza essencial e inadiável. 

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