sábado, 7 de novembro de 2026

PGR pede ao STF suspensão de todas as ações judiciais que contestam proibição das bets no Brasil

Paulo Gonet aponta insegurança jurídica provocada por decisões divergentes que autorizam o funcionamento de plataformas de apostas online. Pedido ficará sob análise do ministro Luiz Fux.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu nesta sexta-feira (6) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão nacional de todos os processos judiciais que questionam a decisão do governo federal de proibir o funcionamento de plataformas de apostas online, conhecidas como bets.

No pedido encaminhado à Corte, Gonet argumenta que a existência de decisões judiciais divergentes, algumas autorizando a operação de casas de apostas e outras mantendo a proibição, provoca insegurança jurídica e dificulta a aplicação uniforme da medida em todo o país.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defende que os processos permaneçam suspensos até que o Supremo apresente uma decisão definitiva sobre a constitucionalidade da Medida Provisória 1.394/2026, que estabeleceu a proibição.

“A Procuradoria-Geral da República entende, portanto, ser caso de deferimento da medida excepcional de suspensão de processos, para sobrestar, em âmbito nacional, o trâmite de todos os feitos que tenham por objeto a constitucionalidade da Medida Provisória 1.394/2026, até o julgamento definitivo da controvérsia constitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, afirmou Gonet na manifestação.

A petição foi encaminhada ao ministro Luiz Fux, relator de quatro ações que discutem a validade constitucional da medida provisória no STF.

O pedido da PGR busca evitar que diferentes instâncias do Judiciário continuem proferindo decisões contraditórias sobre o funcionamento das plataformas enquanto a questão não recebe uma definição da Suprema Corte.

Na quinta-feira (5), a segunda instância da Justiça Federal em São Paulo derrubou uma liminar que permitia o funcionamento de três empresas de apostas online, em mais um capítulo da disputa judicial envolvendo o setor.

Caso o pedido seja acolhido, todas as ações judiciais que tenham como objeto a constitucionalidade da medida provisória deverão ficar paralisadas em âmbito nacional até o julgamento definitivo pelo STF.

A iniciativa coloca nas mãos do Supremo uma decisão que poderá estabelecer um entendimento uniforme sobre a legalidade da proibição das plataformas de apostas online e seus efeitos sobre as empresas que atuam no mercado brasileiro.

Até a análise do pedido pelo ministro Luiz Fux, permanece em discussão a situação jurídica das plataformas atingidas pela medida. 

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