Senadora
eleita resiste à aliança com os socialistas e, segundo informações de
bastidores, prefere uma composição com o PSDB ou legendas menores. Divergências
com João Campos aprofundam o impasse.
A
possibilidade de uma federação entre o PDT e o PSB pode provocar uma nova
mudança partidária no cenário político pernambucano. A senadora eleita Marília
Arraes teria comunicado a pessoas próximas que pretende deixar o PDT caso a
direção nacional da legenda aprove a união com os socialistas.
A
informação aponta que Marília ainda espera uma alternativa para o futuro
partidário da sigla. Entre as possibilidades que considera estariam uma
federação com o PSDB ou uma composição com partidos menores, como Avante,
Solidariedade e PRD.
O
principal obstáculo, segundo os relatos, seria justamente o PSB, partido com o
qual a senadora eleita mantém divergências políticas e dificuldades de
relacionamento. Na avaliação atribuída a Marília, os socialistas poderiam
assumir o protagonismo dentro de uma eventual federação, reduzindo seu espaço
nas decisões e articulações políticas.
O
desconforto entre Marília Arraes e lideranças do PSB teria se intensificado
durante a campanha estadual e o segundo turno da eleição presidencial. Um dos
episódios apontados como determinantes foi um café da manhã promovido pelo
prefeito do Recife, João Campos, com lideranças que participaram da mobilização
eleitoral, sem a presença da senadora eleita.
De
acordo com a versão apresentada por interlocutores, a ausência teria ampliado o
desgaste entre os dois grupos políticos.
Por
outro lado, lideranças socialistas também teriam demonstrado insatisfação com a
exposição de Marília ao lado de Lula durante o segundo turno. Naquele período,
João Campos evitava participar diretamente de agendas em Pernambuco para não
interferir na estratégia de transferência de votos de eleitores da governadora
Raquel Lyra para o presidente, movimento conhecido como “Luquel”.
Durante
a campanha presidencial, Marília ganhou visibilidade em agendas ao lado de
Lula. Após o primeiro turno, participou de uma reunião em Brasília com o então
candidato e, posteriormente, o acompanhou em compromissos em Natal, no Rio
Grande do Norte, e em Petrolina, no Sertão pernambucano.
Em
Petrolina, segundo o relato, Marília esteve ao lado do presidente no veículo
que conduziu a principal comitiva, enquanto João Campos permaneceu mais
distante.
A
resistência à federação com o PSB conta, conforme as informações divulgadas,
com o apoio do ex-deputado federal e ministro Wolney Queiroz, presidente
estadual do PDT, que também integra as articulações em torno do futuro da
legenda.
Outro
argumento atribuído a Marília nas conversas reservadas é a possibilidade de
mudar de partido sem enfrentar os mesmos obstáculos jurídicos aplicáveis a
outros cargos eletivos.
Eleita para o Senado, ela avalia que sua condição de ocupante de mandato majoritário oferece maior liberdade para uma eventual troca de legenda. Diferentemente de deputados e vereadores, senadores não estão sujeitos à mesma regra de fidelidade partidária que pode resultar na perda do mandato por desfiliação sem justa causa.
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