domingo, 1 de novembro de 2026

Marília Arraes ameaça deixar o PDT caso partido avance em federação com o PSB

Senadora eleita resiste à aliança com os socialistas e, segundo informações de bastidores, prefere uma composição com o PSDB ou legendas menores. Divergências com João Campos aprofundam o impasse.

A possibilidade de uma federação entre o PDT e o PSB pode provocar uma nova mudança partidária no cenário político pernambucano. A senadora eleita Marília Arraes teria comunicado a pessoas próximas que pretende deixar o PDT caso a direção nacional da legenda aprove a união com os socialistas.

A informação aponta que Marília ainda espera uma alternativa para o futuro partidário da sigla. Entre as possibilidades que considera estariam uma federação com o PSDB ou uma composição com partidos menores, como Avante, Solidariedade e PRD.

O principal obstáculo, segundo os relatos, seria justamente o PSB, partido com o qual a senadora eleita mantém divergências políticas e dificuldades de relacionamento. Na avaliação atribuída a Marília, os socialistas poderiam assumir o protagonismo dentro de uma eventual federação, reduzindo seu espaço nas decisões e articulações políticas.

O desconforto entre Marília Arraes e lideranças do PSB teria se intensificado durante a campanha estadual e o segundo turno da eleição presidencial. Um dos episódios apontados como determinantes foi um café da manhã promovido pelo prefeito do Recife, João Campos, com lideranças que participaram da mobilização eleitoral, sem a presença da senadora eleita.

De acordo com a versão apresentada por interlocutores, a ausência teria ampliado o desgaste entre os dois grupos políticos.

Por outro lado, lideranças socialistas também teriam demonstrado insatisfação com a exposição de Marília ao lado de Lula durante o segundo turno. Naquele período, João Campos evitava participar diretamente de agendas em Pernambuco para não interferir na estratégia de transferência de votos de eleitores da governadora Raquel Lyra para o presidente, movimento conhecido como “Luquel”.

Durante a campanha presidencial, Marília ganhou visibilidade em agendas ao lado de Lula. Após o primeiro turno, participou de uma reunião em Brasília com o então candidato e, posteriormente, o acompanhou em compromissos em Natal, no Rio Grande do Norte, e em Petrolina, no Sertão pernambucano.

Em Petrolina, segundo o relato, Marília esteve ao lado do presidente no veículo que conduziu a principal comitiva, enquanto João Campos permaneceu mais distante.

A resistência à federação com o PSB conta, conforme as informações divulgadas, com o apoio do ex-deputado federal e ministro Wolney Queiroz, presidente estadual do PDT, que também integra as articulações em torno do futuro da legenda.

Outro argumento atribuído a Marília nas conversas reservadas é a possibilidade de mudar de partido sem enfrentar os mesmos obstáculos jurídicos aplicáveis a outros cargos eletivos.

Eleita para o Senado, ela avalia que sua condição de ocupante de mandato majoritário oferece maior liberdade para uma eventual troca de legenda. Diferentemente de deputados e vereadores, senadores não estão sujeitos à mesma regra de fidelidade partidária que pode resultar na perda do mandato por desfiliação sem justa causa. 

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