quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Deputada eleita denuncia ação truculenta de PMs em escola de Salgueiro contra estudantes e professora

Episódio ocorreu na EREM Aura Sampaio Parente Muniz e provocou manifestações de repúdio de professores e da comunidade escolar, que cobram apuração dos fatos e respeito à liberdade de expressão

Um episódio envolvendo uma professora, estudantes e Policiais militares (identificados como sargento Ronaldo e Araújo) que entraram na Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Aura Sampaio Parente Muniz, em Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, junto a um homem que se apresentou como representante do Partido Liberal (PL), provocou indignação entre integrantes da comunidade escolar. Em manifestações públicas, professores e representantes da instituição denunciaram o constrangimento sofrido pela educadora diante dos estudantes e cobraram a apuração do caso.

De acordo com os relatos divulgados, a ocorrência envolveu questionamentos relacionados ao uso de adesivos com mensagens políticas de Lula por estudantes e uma professora. A situação teria culminado na retirada dos adesivos e no encaminhamento da educadora à direção da escola, circunstâncias que motivaram críticas sobre possíveis violações à liberdade de expressão no ambiente educacional.

O episódio ganhou repercussão por ter ocorrido poucos dias após o Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, e reacendeu o debate sobre os limites da atuação de agentes de segurança nas instituições de ensino e a proteção das liberdades individuais. A deputada federal Liana Cirne usou suas redes sociais para protestar e cobrar providências por parte da Polícia Militar e da Secretaria Estadual de Educação.

Em documento datado desta terça-feira (20), o corpo docente da EREM Aura Sampaio Parente Muniz manifestou repúdio a qualquer ato de censura, constrangimento ou intimidação praticado contra professores, estudantes e gestores no exercício de seus direitos constitucionais.

A nota também expressa solidariedade à professora e aos estudantes envolvidos, reafirmando o compromisso da comunidade escolar com a dignidade humana, a liberdade de expressão e a autonomia pedagógica.

Em outra manifestação, um professor classificou o episódio como um dos acontecimentos mais revoltantes que presenciou na carreira docente. Ele afirmou que a colega foi constrangida por policiais na presença de estudantes e criticou o que considera uma tentativa de intimidação de profissionais da educação por suas posições e manifestações.

“Estamos diante de um cenário em que o professor é atacado por existir, por se posicionar”, declarou.

O educador também defendeu que o caso tenha repercussão e seja devidamente investigado, cobrando respeito aos profissionais da educação e garantias para o exercício da liberdade de expressão.

A cobrança central dos educadores é por esclarecimento, responsabilização caso sejam constatadas irregularidades e garantia de que professores e estudantes possam exercer seus direitos sem intimidação.

A comunidade escolar pede respeito e justiça e defende que a educação pública permaneça comprometida com os princípios democráticos, a liberdade de pensamento e a formação crítica dos cidadãos. 

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