Caso
Ana Clara, morta por disparo de fuzil em Niterói, envolve policial militar
acusado de homicídio qualificado e suspeitas de articulação política para
acesso ao STJ
A
morte de Ana Clara Gomes Machado, de apenas 5 anos, durante uma ação policial
em Niterói, no Rio de Janeiro, voltou ao centro do debate político nacional e
se tornou um dos temas que atravessam a disputa presidencial entre Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), adversários no segundo turno das
eleições.
O
episódio, ocorrido em 2 de fevereiro de 2021, reúne elementos que vão além da
violência que vitimou a criança: a atuação de policiais militares, a
responsabilização criminal de um agente acusado de homicídio qualificado e a
menção a um senador que teria sido recrutado para abrir portas no Superior
Tribunal de Justiça (STJ).
Flávio
é advogado de Bruno Dias Delaroli, policial militar acusado de assassinar a
criança. Em 2024, o senador assumiu a defesa do agente e assinou um recurso
apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a
decisão que determinou que ele fosse submetido a júri popular.
Na
manhã de 2 de fevereiro de 2021, Ana Clara brincava com o irmão, Pedro, então
com 2 anos, na porta de casa, na comunidade do Monan Pequeno, no bairro do
Badú, em Niterói. Na ocasião, policiais militares do 12º Batalhão da Polícia
Militar (BPM) realizavam uma incursão na região.
De
acordo com a versão apresentada pelos agentes, a equipe teria sido recebida a
tiros por traficantes e reagido. Moradores, porém, negaram que tenha ocorrido
um confronto armado.
Durante
a operação, Ana Clara foi atingida por um projétil de fuzil calibre 7,62
milímetros. O disparo entrou pela parte posterior do braço direito, atravessou
o membro e atingiu o tórax, alcançando a aorta e os pulmões antes de sair pelas
costas. A menina sofreu uma hemorragia interna e morreu após ser socorrida e
levada ao Hospital Estadual Azevedo Lima.
O
caso também envolve um policial militar acusado de homicídio qualificado pela
morte da criança. A acusação coloca em evidência a discussão sobre a
responsabilidade de agentes de segurança em ocorrências com vítimas civis,
sobretudo quando há divergências entre as versões apresentadas pelos policiais
e os relatos de moradores.
Outro
elemento que projeta o episódio para o cenário político é a referência a um
senador (Flávio Bolsonaro) que teria sido recrutado para abrir portas no
Superior Tribunal de Justiça.
Cinco anos após a morte de Ana Clara, o episódio permanece como símbolo da dimensão humana da violência e dos questionamentos que cercam operações policiais em comunidades brasileiras.
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