terça-feira, 20 de outubro de 2026

Governo Milei cria plano de demissão voluntária que pode atingir 21 mil servidores na Argentina

Decreto prevê indenizações e pagamento temporário para funcionários que aderirem à proposta; sindicatos denunciam pressão sobre trabalhadores e alertam para impactos nos serviços públicos

O governo do presidente Javier Milei publicou, nesta segunda-feira (19), um decreto que estabelece um plano de demissão voluntária com potencial para alcançar até 21 mil servidores públicos na Argentina. A medida integra a política de redução de gastos e de reestruturação do Estado adotada pela administração desde que assumiu o poder.

Desde janeiro de 2023, segundo os dados apresentados sobre a redução do funcionalismo, o governo argentino fechou 77 mil vagas no serviço público. A iniciativa amplia a estratégia de enxugamento da máquina estatal, uma das principais bandeiras de Milei, que chegou à Casa Rosada utilizando uma motosserra como símbolo do compromisso com os cortes de despesas e a diminuição da estrutura governamental.

O Decreto 1.203 de 2026 estabelece condições para a adesão voluntária de três grupos de servidores federais, com exceção de militares e funcionários das áreas de segurança e inteligência. A norma também determina que as vagas dos trabalhadores que deixarem o serviço público sejam extintas permanentemente.

A medida contempla funcionários próximos da aposentadoria, com idades entre 58 e 64 anos, além daqueles que já cumpriram os requisitos necessários para se aposentar.

Entre as modalidades de desligamento previstas estão o pagamento equivalente a um salário por ano trabalhado no Estado e uma remuneração mensal correspondente a 60% do salário durante os três anos seguintes, conforme as condições estabelecidas pelo programa.

Outro ponto previsto é a proibição de retorno ao serviço público por oito anos para quem aderir ao plano. O ministro da Desregulação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger, defendeu a restrição como forma de impedir o que chamou de “porta giratória” entre o desligamento e uma nova contratação pelo governo.

A Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) reagiu à iniciativa e alertou para os possíveis efeitos da redução do quadro de funcionários sobre a prestação de serviços à população.

A entidade afirma que milhões de pessoas poderão enfrentar dificuldades de acesso a serviços públicos em razão da diminuição do número de trabalhadores. O sindicato também acusa o governo de exercer intimidação sobre servidores para estimular a adesão ao programa.

Enquanto o governo apresenta o plano como instrumento de ajuste e racionalização administrativa, representantes dos trabalhadores alertam para o risco de sobrecarga dos servidores remanescentes e de prejuízos no atendimento à população. 

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