quinta-feira, 17 de setembro de 2026

PMs são punidos após atuarem como motoristas e fazerem segurança de Deolane em Pernambuco

Sindicância apontou uso de armas da corporação durante deslocamentos da influenciadora; militares receberam penas de detenção

Dois policiais militares de Pernambuco foram punidos com detenção após uma investigação administrativa concluir que eles atuaram como motoristas e fizeram a segurança da influenciadora Deolane Bezerra em diferentes deslocamentos pelo Estado. O caso foi apurado durante dois anos e teve origem após a prisão da influenciadora, em setembro de 2024, durante a Operação Integration.

Segundo o relatório da sindicância administrativa disciplinar, os militares atuaram armados durante os deslocamentos de Deolane por várias cidades pernambucanas, inclusive em horários de madrugada.

Os envolvidos são o 2º sargento Eduardo de Miranda Mendes, do 19º Batalhão da PMPE, e o 3º sargento Willney Bezerra Matias da Silva, do Batalhão de Polícia Rodoviária. No dia da deflagração da Operação Integration, os dois foram conduzidos ao Departamento de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Depatri), no Recife, onde confirmaram que realizavam os deslocamentos da influenciadora.

Em depoimento, Eduardo afirmou que recebeu o convite do marido de uma prima de Deolane para “dar um apoio” nos deslocamentos. Segundo os autos, o policial disse ter aceitado com a expectativa de estabelecer contatos que poderiam contribuir para futuras promoções profissionais.

Willney apresentou justificativa semelhante. De acordo com a sindicância, ele afirmou que enxergava na atividade uma oportunidade de “networking” e de conhecer pessoas que poderiam ajudá-lo na carreira.

Os dois militares negaram ter recebido pagamento pelo trabalho. Ainda assim, a apuração considerou irregular a atividade, independentemente da existência de remuneração.

Um dos pontos centrais da investigação foi o fato de os policiais portarem armas de fogo pertencentes à Polícia Militar durante os deslocamentos.

A defesa argumentou que os militares mantinham o porte das armas inclusive durante as folgas por questões relacionadas à própria segurança. A decisão administrativa, porém, considerou que o armamento da corporação foi utilizado fora de suas finalidades institucionais.

Segundo a decisão do subcomandante-geral da PMPE, coronel Cláudio Ricardo Lopes, a atividade também comprometeria a dedicação integral exigida dos policiais e a imagem institucional da corporação.

Ao final do procedimento administrativo, Eduardo de Miranda Mendes recebeu 25 dias de detenção, enquanto Willney Bezerra Matias da Silva foi punido com 30 dias. Conforme informações divulgadas sobre o caso, os dois ainda podem recorrer da decisão.

A investigação administrativa não se confunde com a apuração criminal relacionada à Operação Integration. O procedimento que resultou nas punições dos policiais concentrou-se na atuação funcional dos militares e no exercício considerado irregular de atividade de segurança privada.

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