sábado, 5 de setembro de 2026

PGR pede apuração sobre possível interferência de André Mendonça em investigação da PF

              A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, a abertura de uma apuração para verificar uma possível interferência externa na elaboração de um relatório da Polícia Federal determinado pelo ministro André Mendonça.

O documento, de 218 páginas, reúne mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e autoridades. Entre os nomes mencionados estão os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Segundo Gonet, a decisão que determinou a elaboração do relatório não foi comunicada ao Ministério Público. Para a PGR, a ausência de conhecimento teria impedido o órgão de exercer o controle externo sobre a atividade policial.

No ofício encaminhado a Fachin, Gonet solicita que seja investigada a “possível ocorrência de ordem ou interferência externa” na elaboração do documento e se eventual interferência teria comprometido seu conteúdo.

A manifestação ocorre em meio à crescente repercussão das mensagens encontradas na investigação envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro.

O relatório da PF também trouxe à tona conversas entre Vorcaro e autoridades. Entre elas estão diálogos envolvendo Paulo Gonet, que, segundo as informações apresentadas, teria demonstrado proximidade com o banqueiro e aceitado convite para um encontro em Londres envolvendo degustação de uísque e charutos.

O Conselho Superior do Ministério Público Federal também abriu procedimento para analisar a conduta de Gonet, após pedido apresentado pelo Partido Novo.

Outro núcleo de apuração envolve o ministro Alexandre de Moraes. Segundo o relatório da PF, mensagens e documentos fazem referência a um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

O material também registra uma conversa na qual Vorcaro teria procurado Moraes dois dias antes de sua prisão para perguntar se deveria deixar o país e pedir auxílio junto ao diretor-geral da Polícia Federal e ao procurador-geral da República.

O caso coloca sob análise simultânea a atuação de integrantes do STF, da PGR e da Polícia Federal e amplia a pressão por esclarecimentos sobre os limites da atuação de magistrados em investigações policiais.

Fachin havia determinado que a PGR, André Mendonça, Alexandre de Moraes e a Polícia Federal apresentassem manifestações sobre o episódio no prazo de cinco dias.

A apuração agora deverá esclarecer como o relatório foi produzido, quais determinações foram dadas à Polícia Federal e se houve interferência externa capaz de comprometer a autonomia ou o conteúdo da investigação.

Enquanto as instituições analisam os fatos, o caso do Banco Master amplia sua dimensão e passa a envolver, além das suspeitas relacionadas ao sistema financeiro, questionamentos sobre a atuação e as relações entre algumas das principais autoridades da República. 

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