quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Fachin intervém para estancar guerra de liminares e retirar Moraes das fake news

                   Em uma das mais duras intervenções regimentais dos últimos anos no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, baixou duas ordens nesta terça-feira (9) para conter a escalada de atritos internos que paralisava o tribunal. As canetadas de Fachin atingiram o coração de dois vespeiros institucionais: neutralizaram o vaivém de decisões sobre a cúpula da Polícia Federal (PF) e retiraram o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news.

A ofensiva da presidência buscou neutralizar o que Fachin classificou como uma "guerra horizontal" de despachos individuais entre colegas, cenário que vinha degradando a autoridade da própria Corte perante a opinião pública e as instituições de segurança.

No caso da PF, Fachin cassou simultaneamente dois atos contraditórios emitidos em sequência:

  • A decisão liminar do ministro André Mendonça, que havia determinado o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada;
  • A contraordem do ministro Flávio Dino, que havia revogado a medida de Mendonça e reintegrado ambos aos postos.

Com a anulação cruzada das duas medidas, Andrei Rodrigues e Leandro Almada permanecem provisoriamente em suas funções. Fachin transferiu a responsabilidade pelo desfecho definitivo ao plenário presencial do STF, cuja sessão de julgamento foi pautada para a próxima terça-feira (15), às 10h.

Em seu despacho, o presidente do STF foi contundente ao justificar o corte das liminares antes da análise de mérito:

"Considero necessária a suspensão das decisões ora analisadas, porquanto, para além de qualquer juízo meritório sobre o afastamento ou não de autoridades, o qual será realizado oportunamente, cumpre obstar quadro de conflitos e sobreposições processuais que, por si só, configuram lesão à ordem pública e à integridade deste Tribunal."

Fachin sublinhou ainda que a disputa pública de despachos entre integrantes da mesma instância fere a liturgia do Judiciário:

"É grave o quadro em que decisões de ministros passam a ser desafiadas horizontalmente, mormente quando pendentes, tanto o julgamento em curso no âmbito da Segunda Turma deste Tribunal, quanto o pedido de suspensão de liminar que se encontra sob apreciação desta Presidência."

A segunda determinação de Fachin teve peso político e jurídico ainda maior: a redistribuição do inquérito das fake news, até então sob condução monocrática de Alexandre de Moraes. Aberto em 2019 sob a gestão de Dias Toffoli e prorrogado sucessivas vezes, o procedimento era o principal catalisador de tensões entre o STF, o Congresso e a oposição.

Ao afastar Moraes da relatoria, Fachin sinaliza uma tentativa de despersonalizar as investigações que orbitam ataques às instituições, apostando na diluição do desgaste institucional acumulado pelo colega ao longo dos últimos cinco anos.

O duplo movimento de Fachin busca redefinir o STF sob uma ótica de colegialidade estrita: retira poderes concentrados em decisões individuais e submete os temas mais conflagrados do país ao escrutínio coletivo do Plenário. A resposta da Corte ao novo desenho começa a ser testada na sessão da próxima terça-feira.

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