terça-feira, 1 de setembro de 2026

Comissão adia votação da MP que pode acabar com “taxa das blusinhas”

         A comissão mista do Congresso adiou para esta terça-feira (1º) a votação do relatório da senadora Leila Barros (PDT-DF) sobre a medida provisória que propõe o fim da chamada “taxa das blusinhas”, atualmente aplicada às compras internacionais de até US$ 50.

A expectativa é de que, após a análise na comissão, a proposta avance ainda nesta terça para o plenário da Câmara dos Deputados. Se aprovada, a matéria deverá ser apreciada pelos senadores na quarta-feira (2).

O texto mantém a proposta de zerar o Imposto de Importação de 20% sobre essas compras, mas incorpora um mecanismo de monitoramento dos efeitos da mudança sobre a economia brasileira.

Pelo relatório, o Ministério da Fazenda deverá avaliar periodicamente os efeitos da tributação zerada sobre o setor produtivo nacional. A primeira análise deverá ocorrer três meses após a entrada em vigor da nova regra. Depois disso, as avaliações seriam realizadas a cada seis meses.

Caso sejam identificados impactos considerados relevantes, como aumento do desemprego ou redução do faturamento das empresas brasileiras, o governo poderá propor medidas compensatórias.

A proposta busca reduzir a resistência de setores da economia que defendem a manutenção da tributação sobre produtos importados.

“Queremos equacionar um gatilho que possa permitir ao Ministério da Fazenda fazer avaliação. Com autonomia da Fazenda, mas também com uma avaliação anual do Congresso Nacional”, afirmou o presidente da comissão mista, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

A possibilidade de retirada do imposto preocupa o setor produtivo. Segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o fim da cobrança poderá colocar em risco, somente em 2026, cerca de R$ 21,8 bilhões em produção doméstica e 109 mil postos de trabalho.

A votação desta terça-feira, portanto, será decisiva para definir o futuro da tributação das compras internacionais de menor valor. O debate coloca, de um lado, a redução dos custos para consumidores e, de outro, a preocupação da indústria nacional com a concorrência dos produtos importados. 

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