quinta-feira, 20 de agosto de 2026

TCE-PE manda devolver R$ 7,4 milhões após apontar irregularidades em contratos de saúde em três cidades

                 O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) determinou a devolução de R$ 7,4 milhões aos cofres públicos após identificar irregularidades em parcerias firmadas pelo Instituto de Desenvolvimento Humano (IDH) para a execução de serviços de saúde nos municípios de São Vicente Férrer, Jurema e Trindade.

As decisões, julgadas pela Segunda Câmara do TCE-PE sob relatoria do conselheiro Marcos Loreto, apontam um modelo semelhante de atuação nas três cidades, com indícios de direcionamento em chamamentos públicos, terceirização irregular de serviços e repasses a empresas ligadas a dirigentes da organização.

No total, o Tribunal determinou o ressarcimento de R$ 7.407.294,31, sendo R$ 2.360.245,77 em São Vicente Férrer, R$ 2.781.183,81 em Jurema e R$ 2.265.864,73 em Trindade.

Em Jurema, no Agreste, a auditoria analisou o Termo de Colaboração nº 001/2017, firmado para a gestão dos serviços de saúde entre 2017 e 2024. Segundo o acórdão, mais de R$ 17,7 milhões foram repassados ao IDH durante o período.

A auditoria identificou que R$ 3,3 milhões, equivalentes a 18,68% dos recursos, foram classificados como “custos indiretos”. O TCE-PE considerou o percentual desproporcional e apontou prejuízo de R$ 2,78 milhões aos cofres municipais.

De acordo com a decisão, parte dos pagamentos teria sido direcionada a empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, com vínculos entre sócios e dirigentes da organização.

Em São Vicente Férrer, na Mata Norte, o Tribunal analisou o Termo de Colaboração nº 001/2021 e concluiu que houve transferência integral de serviços de saúde ao IDH.

Segundo o TCE-PE, a parceria resultou em terceirização indevida de atividade-fim e substituição de mão de obra que deveria ser contratada diretamente pelo município, por meio de concurso público ou contratação temporária, quando legalmente cabível.

Outro ponto questionado foi o repasse de 26,3% dos recursos para empresas responsáveis por serviços de assessoria contábil, jurídica e de recursos humanos. Para o Tribunal, a adoção de percentuais fixos e idênticos, independentemente dos serviços prestados, indicaria uma distribuição planejada de resultados.

Em Trindade, no Sertão pernambucano, a auditoria também identificou repasses de recursos a empresas ligadas a dirigentes do grupo.

O acórdão aponta que os chamados “custos indiretos” teriam sido utilizados como mecanismo para mascarar o rateio de excedentes financeiros. Empresas responsáveis por atividades distintas recebiam o mesmo percentual de 26,3%, situação que, segundo o TCE-PE, descaracterizaria a efetiva prestação dos serviços e configuraria distribuição de dividendos.

As decisões do Tribunal de Contas fazem parte de processos administrativos e podem ser objeto de recursos pelas partes envolvidas, conforme os procedimentos previstos na legislação.

O caso coloca sob questionamento o modelo de contratação e execução de serviços de saúde adotado nos três municípios e reforça o alerta do TCE-PE sobre a necessidade de fiscalização rigorosa na aplicação dos recursos públicos destinados à saúde.

Ao todo, mais de R$ 7,4 milhões deverão ser devolvidos aos cofres públicos, segundo as decisões do Tribunal de Contas de Pernambuco.

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