segunda-feira, 24 de agosto de 2026

MP Eleitoral apura antecipação da Feira da Rapadura e gastos com evento em Santa Cruz da Baixa Verde

Procedimento investiga possível abuso de poder político e desvio de finalidade na mudança do calendário da tradicional festividade, antecipada de outubro para setembro em ano eleitoral

O Ministério Público Eleitoral instaurou um Procedimento Preparatório Eleitoral (PPE) para apurar possíveis irregularidades relacionadas à antecipação e à realização da XXVIII Feira da Rapadura, em Santa Cruz da Baixa Verde, no Sertão de Pernambuco.

A investigação foi formalizada pelo promotor eleitoral Carlênio Mário Lima Brandão e tem como foco a possível ocorrência de abuso de poder político e desvio de finalidade na alteração do calendário da tradicional festividade.

Realizada historicamente no mês de outubro, a Feira da Rapadura foi antecipada para o período de 10 a 15 de setembro de 2026. De acordo com a portaria de instauração, a mudança ocorreu de forma atípica e passou a ser questionada diante da proximidade do processo eleitoral.

A notícia de fato que originou o procedimento também aponta para a realização de gastos considerados vultosos na contratação de atrações artísticas, ao mesmo tempo em que o município possuiria dívidas previdenciárias e débitos ainda não quitados com artistas que participaram de edições anteriores do evento.

Diante dos fatos, o MP Eleitoral estabeleceu o prazo de cinco dias úteis para que o prefeito de Santa Cruz da Baixa Verde, Ismael Quintino (Republicanos), apresente justificativa técnico-administrativa para a antecipação da Feira da Rapadura.

O gestor também deverá encaminhar cópias dos atos normativos e administrativos que fundamentaram a alteração do calendário da festividade para setembro de 2026.

Além da investigação sobre a antecipação do evento, o Ministério Público Eleitoral expediu recomendação para que a Prefeitura impeça a utilização da estrutura, do custeio e dos recursos públicos da Feira da Rapadura para fins de promoção pessoal ou eleitoral.

Segundo o órgão, durante a realização da festividade, não deverão ser feitas menções, elogios ou pedidos de voto, explícitos ou implícitos, em favor de candidatos, partidos, federações ou coligações.

A recomendação busca evitar que uma estrutura financiada com recursos públicos seja utilizada para interferir na disputa eleitoral, preservando a igualdade de condições entre os candidatos e a regularidade do processo democrático.

Os autos relacionados ao caso foram encaminhados à Promotoria de Justiça de Triunfo, responsável pela atuação no município de Santa Cruz da Baixa Verde, para apuração de possíveis questões ligadas à defesa do patrimônio público.

A investigação poderá avançar sobre os gastos realizados com a Feira da Rapadura e sobre a situação das dívidas municipais mencionadas na notícia de fato.

Com a instauração do procedimento, o Ministério Público passa a reunir informações e documentos para esclarecer se a antecipação da festa e a aplicação de recursos públicos observaram critérios administrativos legítimos ou se houve eventual utilização da máquina pública com finalidade incompatível com a legislação eleitoral.

O procedimento ainda está em fase de apuração e, ao final das diligências, o Ministério Público Eleitoral poderá adotar as medidas que considerar cabíveis, conforme os elementos eventualmente reunidos durante a investigação. 

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