terça-feira, 14 de abril de 2026

Prefeitura de Caruaru é alvo de recomendação para suspender licitação milionária do São João 2026

            A organização de um dos maiores eventos culturais do país entrou no centro de uma controvérsia jurídica. A Prefeitura de Caruaru foi oficialmente recomendada pelo Ministério Público de Pernambuco a suspender, de forma imediata, uma licitação estimada em R$ 15,5 milhões destinada à montagem de estruturas, sonorização e iluminação para o São João 2026.

A medida foi expedida pela 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania do município, após análise técnica apontar inconsistências consideradas graves no edital. De acordo com o promotor de Justiça Marcus Alexandre Tieppo Rodrigues, há indícios de irregularidades que podem representar risco significativo aos cofres públicos.

Entre os principais pontos levantados está a aplicação de uma taxa de Benefícios e Despesas Indiretas (BDI) de 24,92% de forma linear sobre todo o contrato — incluindo itens que, segundo o MPPE, não comportariam esse tipo de incidência, como a simples locação de equipamentos.

Outro aspecto destacado pelo órgão ministerial diz respeito à estrutura do edital, que unifica serviços distintos em um único lote. Na prática, isso exigiria que uma única empresa fosse responsável por atividades diversas, desde fornecimento de som e iluminação até execução de obras de engenharia, como pavimentação de calçadas — o que pode limitar a participação de empresas especializadas e comprometer a competitividade do certame.

Além disso, o MPPE identificou cláusulas consideradas restritivas, como a vedação ao somatório de atestados técnicos e exigências vistas como desproporcionais para o setor audiovisual. Para o órgão, tais critérios podem reduzir a concorrência e impactar diretamente na economicidade da contratação.

Diante desse cenário, a recomendação estabelece que a Prefeitura de Caruaru e a Fundação de Cultura do município promovam ajustes imediatos no edital. Entre as medidas sugeridas estão o parcelamento do objeto em lotes independentes e a revisão detalhada das planilhas orçamentárias.

O município tem o prazo de 48 horas para informar se acatará ou não a recomendação. Caso contrário, o Ministério Público poderá adotar medidas judiciais, incluindo ações por improbidade administrativa e pedidos de suspensão judicial do processo licitatório.

O caso coloca a gestão municipal sob atenção, especialmente diante da relevância econômica e cultural do São João de Caruaru, considerado um dos maiores do Brasil. 

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