quarta-feira, 29 de abril de 2026

MPPE abre investigação sobre possível irregularidade na LOA 2026 de Surubim

              O Ministério Público de Pernambuco instaurou inquérito civil para apurar possíveis irregularidades na elaboração e sanção da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 no município de Surubim. A investigação tem como alvo o prefeito Cléber Chaparral.

A medida foi adotada a partir de representação encaminhada pelo presidente da Câmara Municipal, Luciano Medeiros Filho, que apontou divergências entre o texto aprovado pelo Legislativo e a versão sancionada e publicada pelo Executivo.

De acordo com a portaria assinada pelo promotor Witalo Rodrigo de Lemos Vasconcelos, há indícios de que o prefeito teria promovido alterações no conteúdo do Projeto de Lei nº 022/2025 no momento da sanção, retirando emendas parlamentares previamente aprovadas pelos vereadores. A prática, caso confirmada, pode configurar violação ao princípio da separação dos poderes e ao devido processo legislativo.

As emendas suprimidas tratavam, principalmente, da limitação para abertura de créditos suplementares por decreto — instrumento que amplia a capacidade do Executivo de remanejar recursos dentro do orçamento. A exclusão dessas restrições pode, segundo o Ministério Público, aumentar a margem de discricionariedade na execução orçamentária.

Outro ponto destacado na investigação é a justificativa apresentada pelo gestor municipal, que alegou suposto vício no quórum de aprovação das emendas. No entanto, o MPPE ressalta que eventuais questionamentos sobre a legalidade de atos do Legislativo devem seguir os instrumentos legais adequados, como o veto ou a judicialização, e não a modificação direta do texto aprovado.

A análise também considera o impacto financeiro da medida. O orçamento previsto para 2026 no município gira em torno de R$ 331,5 milhões, com possibilidade de incremento de aproximadamente R$ 71,5 milhões por meio de emendas e convênios. Para a promotoria, a execução de despesas com base em uma lei possivelmente irregular pode gerar insegurança jurídica e risco ao erário.

Como parte das diligências iniciais, o MPPE solicitou à Prefeitura toda a documentação relacionada ao processo administrativo de sanção da lei, incluindo pareceres jurídicos. À Câmara Municipal, foram requisitados documentos que comprovem a tramitação e aprovação das emendas.

O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco também foi acionado para verificar se a execução orçamentária do próximo ano seguirá o texto aprovado pelo Legislativo ou a versão publicada pelo Executivo.

Além disso, o Ministério Público deverá ouvir o procurador-geral do município para esclarecer os fundamentos da decisão administrativa e recomendou que a Prefeitura se abstenha de aplicar limites de remanejamento superiores aos autorizados pela Câmara até a conclusão das investigações. 

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