quarta-feira, 29 de abril de 2026

Celso de Mello critica Senado e classifica rejeição de Jorge Messias ao STF como “grave equívoco institucional”

               A repercussão da rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal continua gerando manifestações no meio jurídico e político. Nesta quarta-feira (29), o ex-ministro da Corte Celso de Mello criticou duramente a decisão do Senado Federal, classificando o resultado como um “grave equívoco institucional”.

Em nota pública, Celso de Mello — que integrou o STF por mais de três décadas — afirmou que a rejeição não encontra respaldo na trajetória profissional de Messias, destacando que o indicado atende plenamente aos critérios estabelecidos pela Constituição para o cargo.

“Trata-se de grave equívoco institucional, pois o Dr. Jorge Messias reúne, de modo pleno, os requisitos que a Constituição da República exige para a legítima investidura no cargo de ministro da Suprema Corte”, declarou.

O ex-ministro também foi enfático ao questionar a decisão dos senadores, afirmando não haver justificativa legítima para barrar a indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Considero profundamente infeliz a decisão do Senado Federal. Perdeu-se a oportunidade de incorporar ao Supremo Tribunal Federal um jurista sério, preparado, experiente e comprometido com os valores superiores do Estado Democrático de Direito”, acrescentou.

A rejeição ocorreu em votação no plenário do Senado, que decidiu não aprovar o nome indicado pelo Executivo para ocupar a vaga aberta após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.

O episódio é considerado atípico no histórico institucional brasileiro e evidencia tensões entre os Poderes, além de abrir um novo capítulo no processo de escolha para a Suprema Corte. Com o resultado, caberá ao presidente da República encaminhar uma nova indicação, que deverá novamente passar por sabatina e votação no Senado.

A manifestação de Celso de Mello reforça o debate sobre os critérios técnicos e políticos envolvidos nas escolhas para o STF e amplia a repercussão de uma decisão que já é tratada como histórica no cenário nacional. 

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