quinta-feira, 12 de março de 2026

PT aciona Ministério Público para investigar aumento abusivo no preço dos combustíveis em Arcoverde

              Uma representação formal apresentada ao Ministério Público pode abrir uma investigação sobre possíveis práticas anticoncorrenciais no mercado de combustíveis de Arcoverde. O Partido dos Trabalhadores (PT), por meio de seu diretório municipal, protocolou nesta quinta-feira (12) uma denúncia junto à Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor solicitando a abertura de Inquérito Civil Público para apurar indícios de formação de cartel e aumento abusivo nos preços da gasolina no município.

De acordo com o documento encaminhado ao Ministério Público de Pernambuco, o mercado local registrou uma elevação considerada atípica no valor do combustível em um curto intervalo de tempo. O relatório aponta que a gasolina comum, que vinha sendo comercializada em torno de R$ 6,19 por litro na semana anterior, sofreu dois reajustes consecutivos no mesmo dia, 11 de março.

Pela manhã, o preço médio teria subido para R$ 6,39, enquanto no período da tarde os valores alcançaram R$ 6,69 por litro, representando um aumento acumulado de R$ 0,54 em menos de sete dias.

Segundo o diretório municipal do partido, não houve, nesse período, anúncio oficial de reajuste por parte da Petrobras nas refinarias, tampouco alterações tributárias que justificassem a elevação repentina dos preços ao consumidor.

A representação também chama atenção para o chamado paralelismo de preços, fenômeno caracterizado quando diversos estabelecimentos concorrentes passam a praticar valores praticamente idênticos em um curto espaço de tempo.

De acordo com o documento, postos de combustíveis com diferentes bandeiras comerciais teriam ajustado seus painéis para o mesmo valor em poucas horas, situação que pode indicar, segundo a denúncia, possível coordenação ou alinhamento de preços.

A peça jurídica sustenta a suspeita com base na legislação de defesa da concorrência e do consumidor, incluindo a Conselho Administrativo de Defesa Econômica e o Código de Defesa do Consumidor, que consideram irregular qualquer prática que restrinja a livre concorrência ou cause prejuízo coletivo aos consumidores.

A denúncia ressalta ainda que o impacto da alta no combustível vai além do consumidor individual. Como polo regional de comércio e serviços, Arcoverde exerce papel estratégico na circulação de mercadorias entre o Agreste e o Sertão do Moxotó.

Nesse cenário, um eventual aumento artificial de preços poderia provocar efeito cascata no custo de vida, influenciando diretamente despesas com transporte escolar, frete de mercadorias, mobilidade urbana e distribuição de alimentos.

Para fundamentar a representação, o diretório municipal anexou registros fotográficos de painéis de preços de diversos postos, capturados em horários distintos do dia 11 de março, além de reportagens da imprensa local que relatam a reação de consumidores diante da rápida elevação.

Entre os principais pedidos encaminhados ao Ministério Público estão:

  • Instaurar Inquérito Civil Público para investigar possíveis práticas anticoncorrenciais;
  • Solicitar notas fiscais de compra e venda de combustíveis dos últimos 30 dias;
  • Requisitar os Livros de Movimentação de Combustíveis (LMC) dos estabelecimentos;
  • Notificar o sindicato da categoria para esclarecimentos sobre eventuais orientações de reajuste coletivo;
  • Avaliar a adoção de medidas cautelares e aplicação de multas caso seja comprovado aumento abusivo sem justificativa técnica.

A representação também orienta os consumidores a registrarem possíveis irregularidades, recomendando que fotografem os painéis de preços dos postos e guardem notas fiscais de abastecimento para eventual comprovação de práticas abusivas.

Caso a denúncia seja acolhida, caberá ao Ministério Público conduzir as diligências iniciais e avaliar se existem elementos suficientes para responsabilização administrativa ou judicial dos estabelecimentos envolvidos. 

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