segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Polícia desarticula esquema de fraude em concurso da Guarda Municipal de Paulista

              A Polícia Civil de Pernambuco desarticulou, no domingo (11), um esquema criminoso de fraude em concurso público durante a aplicação das provas para o cargo de guarda municipal de Paulista, no Grande Recife. Ao todo, três homens foram flagrados em ação, suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada na adulteração de certames públicos. Um quarto envolvido também foi detido por tentativa de fraude em concurso para agente de trânsito.

Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava tecnologia sofisticada, incluindo smartwatch, pontos eletrônicos invisíveis e dispositivos disfarçados de cartão de crédito, para fotografar as provas e repassar as questões a comparsas externos, que enviavam as respostas em tempo real.

Os suspeitos foram levados à delegacia e autuados por fraude em concurso público e organização criminosa, mas acabaram sendo liberados após os procedimentos legais, conforme informaram advogados de defesa.

A prova foi aplicada simultaneamente para cerca de 39 mil candidatos, distribuídos em 80 escolas nos municípios de Paulista, Abreu e Lima e Igarassu. De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos foram flagrados logo no início da aplicação, o que, segundo a corporação, não comprometeu a lisura do certame.

As informações foram detalhadas nesta segunda-feira (12), durante coletiva de imprensa. O delegado Júlio César Barbosa, adjunto da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado, explicou que a investigação teve início no dia 7 de janeiro, após o recebimento de uma denúncia anônima.

Com base nas informações, a polícia conseguiu identificar os suspeitos e realizar uma ação simultânea em diversas escolas. O principal articulador do esquema, apontado como peça “central” da organização, seria Gerson Agustinho da Silva, de 47 anos, preso em flagrante na EREM João Pessoa Guerra, em Igarassu.

“O suspeito, que portava um smartwatch e ocupa um cargo elevado na hierarquia da organização criminosa, era responsável por capturar e repassar o conteúdo das provas. O objetivo dele não era a aprovação pessoal, mas o fornecimento das questões para cúmplices externos”, detalhou o delegado.

Ainda segundo a polícia, os envolvidos deixavam uma prova falsa sobre a mesa e levavam a verdadeira ao banheiro, onde fotografavam o conteúdo e o transmitiam para fora do prédio. As respostas eram enviadas aos candidatos por meio de pontos eletrônicos quase imperceptíveis, inseridos no ouvido.

Em vídeo divulgado pela corporação, um dos suspeitos aparece em uma unidade de saúde durante a remoção do ponto eletrônico. Com o grupo, a polícia também apreendeu um celular antigo e um dispositivo semelhante a um cartão de crédito, que funcionava como receptor de chamadas.

“O aparelho simula um cartão comum, mas contém um chip telefônico que recebe ligações e as retransmite via Bluetooth para o ponto eletrônico”, explicou Barbosa. Conforme as investigações, os valores cobrados pelo esquema criminoso variavam entre R$ 5 mil e R$ 170 mil, a depender do cargo disputado.

As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos no esquema. 

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