O
presidente Michel Temer chega ao embate final no plenário da
Câmara nesta quarta-feira (25) com um desafio bem maior do que obter os
votos para barrar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR)
por obstrução de Justiça e organização criminosa, o que até a
oposição admite que acontecerá sem maiores dificuldades.
Ele
tem como principal desafio dar sentido à segunda metade de seu mandato, que
termina em 1° de janeiro de 2019. Temer vai ter que se contentar com uma pauta
microeconômica já que reformas como a da Previdência deve ficar somente para o
próximo governo.
Caso
não conseguisse garantir os votos favoráveis, Michel Temer seria afastado por
seis meses e o Brasil teria um semestre com a presidência interina, criando um
vácuo político e administrativo no País. Caso fosse afastado assumiria a Presidência de forma provisória o atual presidente da Câmara dos Deputados, deputado Rodrigo Maia (DEM), também envolvido na Lavajato.
Na
votação da primeira denúncia contra Temer, em agosto, o Planalto conseguiu o
apoio declarado de 263 deputados. Juntando com ausências e abstenções, a
vantagem do governo na votação foi o equivalente a pouco mais da metade da
Câmara dos Deputados — em uma clara demonstração de força da coalizão que
sustenta o peemedebista. Para a votação de hoje, o objetivo do governo é, no
mínimo, repetir esse desempenho.
Vai
estar em jogo na votação de hoje se Temer será julgado pelo Supremo Tribunal
Federal, acostumado a arquivar processos contra políticos de toda a ordem,
principalmente do PMDB e PSDB, ou pela 1ª instância, a partir de janeiro de
2019, quando deixar a Presidência após a eleição direta de um novo governante. Durante
seis meses o Brasil voltaria à estaca zero em sua recuperação econômica, com
tendência de aumentar o desemprego e aprofundar a crise devido a instabilidade
e incerteza política. A saída ideal seria a eleição direta, o que a
Constituição não permite.
