quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Câmara dos Deputados decide se o Brasil fica hoje sem presidente por seis meses

          O presidente Michel Temer chega ao embate final no plenário da Câmara nesta quarta-feira (25) com um desafio bem maior do que obter os votos para barrar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) por obstrução de Justiça e organização criminosa, o que até a oposição admite que acontecerá sem maiores dificuldades.

Ele tem como principal desafio dar sentido à segunda metade de seu mandato, que termina em 1° de janeiro de 2019. Temer vai ter que se contentar com uma pauta microeconômica já que reformas como a da Previdência deve ficar somente para o próximo governo.

Caso não conseguisse garantir os votos favoráveis, Michel Temer seria afastado por seis meses e o Brasil teria um semestre com a presidência interina, criando um vácuo político e administrativo no País. Caso fosse afastado assumiria a Presidência de forma provisória o atual presidente da Câmara dos Deputados, deputado Rodrigo Maia (DEM), também envolvido na Lavajato.

Na votação da primeira denúncia contra Temer, em agosto, o Planalto conseguiu o apoio declarado de 263 deputados. Juntando com ausências e abstenções, a vantagem do governo na votação foi o equivalente a pouco mais da metade da Câmara dos Deputados — em uma clara demonstração de força da coalizão que sustenta o peemedebista. Para a votação de hoje, o objetivo do governo é, no mínimo, repetir esse desempenho.

Vai estar em jogo na votação de hoje se Temer será julgado pelo Supremo Tribunal Federal, acostumado a arquivar processos contra políticos de toda a ordem, principalmente do PMDB e PSDB, ou pela 1ª instância, a partir de janeiro de 2019, quando deixar a Presidência após a eleição direta de um novo governante. Durante seis meses o Brasil voltaria à estaca zero em sua recuperação econômica, com tendência de aumentar o desemprego e aprofundar a crise devido a instabilidade e incerteza política. A saída ideal seria a eleição direta, o que a Constituição não permite.