A
divulgação do termo de colaboração do ex-executivo da construtora Andrade
Gutierrez, Rodrigo Ferreira Lopes da Silva, revelou novas complicações para o
senador Fernando Bezerra Coelho (PSB) e o ex-presidente da Copergás, Aldo
Guedes. Segundo a acusação, houve a formação de um cartel para construção de
obras em portos públicos brasileiros que envolveu o Complexo Portuário de
Suape.
O
empresário afirmou que houve pagamento de 5% de propina aos agentes públicos
como contrapartida para as obras de recuperação do Píer de Granéis Líquidos (de
custo de R$ 15,5 milhões, com recursos do Estado e da União) e também o Píer de
Granéis Líquidos 3 (avaliado R$ 504,8 mi). A primeira tinha a Andrade Gutierrez
como única detentora e a segunda integrava o consórcio formado pela empreiteira
junto com a Odebrecht e OAS. Essa última chegou a ser alvo de polêmica no ano
passado devido medida cautelar expedida pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE)
determinando a suspensão do contrato. O tribunal questionou a dispensa de licitação
na elaboração do projeto e a existência de sinais de erosão na obra.
Os
pagamentos teriam sido feitos em espécie e por meio de caixa 2 em forma de
doação eleitoral ao Diretório Nacional do PSB.
Também
foi citada como alvo de propina na delação a obra de reforço dos cabeços do
porto, feita pelo consórcio da Andrade Gutierrez e OAS. No entanto, o executivo
apenas garante a participação de Aldo Guedes na negociação e não soube
confirmar se Fernando Bezerra Coelho também teria se envolvido.
A
defesa do senador Fernando Bezerra Coelho informou que não se manifestará sobre
as delações até ter conhecimento de todo o conteúdo da colaboração. Contudo as
acusações foram repudiadas e consideradas sem fundamento. "Todos os
contatos do senador com a empresa citada foram absolutamente institucionais e
as contas do senador, relativas à gestão dele à frente do Porto de Suape, entre
2007 e 2010, aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado", afirmou.
Advogado de Aldo Guedes, Ademar Rigueira disse que somente se pronunciará
quando tiver acesso aos autos e provas do processo. A Direção acional do PSB
não se pronunciou. Da Folhape.
