Do blog da Noelia Brito
Com
alarde, o governador Paulo Câmara anunciou a aprovação da Lei nº 15.529/2015,
de sua iniciativa, pela qual a CEPE passou a deter a exclusividade na prestação
de serviços de digitalização, gestão e guarda de documentos dos órgãos da
administração estadual.
O
que não foi alardeado, entretanto, foram os contratos feitos, pela CEPE, com a
empresa CONE SUAPE S/A, do grupo Moura Dubeux, para que a guarda
"exclusiva" dos documentos oficiais do governo pernambucano fosse
feita em galpões alugados, sem licitação, a referida empresa, de modo que a tão
propalada "exclusividade" para guarda, salvo melhor juízo,
parece-nos, descaracterizada, posto que para "guardar" tais
documentos, a CEPE precisa despender, em benefício da empresa CONE SUAPE, do
grupo Moura Dubeux, por apenas dois dos três galpões alugados, nada menos que
R$ 4.080.000,00 (quatro milhões e oitenta mil reais), por um contrato de cinco
anos.
Além
do fato de a CEPE alugar galpões por valores milionários, para a guarda de
documentos oficiais, é motivo de preocupação, para o cidadão pernambucano, o
fato de que haja registro de incêndio de grandes proporções em galpões
localizados no CONE SUAPE, para o qual nem mesmo o Instituto de Criminalística
de Pernambuco foi capaz de identificar a causa.
Já
o Instituto de Pesquisas Tecnológicas - IPT, vinculado à Secretaria de
Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São
Paulo, considerado um dos mais importantes institutos de pesquisas do Brasil,
apontou como provável causa do incêndio ocorrido no Galpão G04, do Cone
Suape, aumento significativo de consumo de energia elétrica, associado a
variações de tensão da rede elétrica, gerando superaquecimento dos cabos
elétricos instalados na eletrocalha.
Mas
as situações inusitadas envolvendo a área não param por aí. Segundo matéria
publicada no Blog do Magno Martins, a área hoje alugada a peso de ouro
pela CEPE à empresa CONE SUAPE foi doada pelo próprio governo
de Pernambuco numa operação pra lá de polêmica.
Demitido
pelo governador João Lyra Neto, o ex-procurador-geral do Estado, Thiago Norões,
assinou pelo ex-governador Eduardo Campos (PSB), três meses após a morte deste,
a escritura de doação definitiva de um terreno doado inicialmente à Companhia
Siderúrgica Suape S.A (CSS), dizia a matéria do Magno Martins.
Norões
ignorou o prazo e a morte do ex-governador e assinou a doação. No documento, há
ainda outro agravante: foi incluída uma segunda contratante, a Cone SPA Ltda,
aceita pelo Governo como integrante do mesmo grupo empresarial que controla a
CSS, liderado pela construtora Moura Dubeux.
Norões
é marido da advogada Sandra de Azevedo Norões, que lidera o Escritório Norões,
Azevedo & Associados, detentores de uma série de contratos com instituições
do Governo e empresas com interesses em projetos sob a responsabilidade do
Governo de Pernambuco, como a Construtora Moura Dubeux.

