A Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota sobre o momento nacional. O
texto é assinado pela Presidência da entidade constituída pelo arcebispo de
Brasília e presidente, dom Sergio da Rocha; pelo arcebispo de Salvador e
vice-presidente, dom Murilo Krieger; e pelo bispo auxiliar de Brasília e
secretário geral, dom Leonardo Steiner.
“Neste
momento grave da vida do país, a CNBB levanta sua voz para colaborar, fazendo
chegar aos responsáveis o grito de dor desta nação atribulada, a fim de
cessarem as hostilidades e não se permitir qualquer risco de desrespeito à
ordem constitucional”, diz um trecho da nota. No texto, a CNBB apela para
o diálogo e para a serenidade e expressa repúdio ao recurso da violência e da
agressividade nas diferentes manifestações sobre a vida política do país.
Confira, abaixo, a íntegra da nota.
NOTA
SOBRE O MOMENTO NACIONAL
E nós somos todos irmãos e irmãs (cf. Mt
23,8)
A Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil-CNBB, fiel à missão evangelizadora e profética da Igreja, acompanha, com
apreensão e senso de corresponsabilidade, a grave crise política e econômica
que atinge o país e, mais uma vez, se manifesta sobre o atual momento
nacional.
Ao se pronunciar sobre questões
políticas, a CNBB não adota postura político-partidária. Não sugere, não apoia
ou reprova nomes, mas exerce o seu serviço à sociedade, à luz dos valores e
princípios fundamentais da Doutrina Social da Igreja. Desse modo, procura
respeitar a opção política de cada cidadão e a justa autonomia das instituições
democráticas, incentivando a participação responsável e pacífica dos cristãos
leigos e leigas na política.
Neste momento grave da vida do país, a
CNBB levanta sua voz para colaborar, fazendo chegar aos responsáveis o grito de
dor desta nação atribulada, a fim de cessarem as hostilidades e não se permitir
qualquer risco de desrespeito à ordem constitucional. Nenhuma decisão seja
tomada sob o impulso da paixão política ou ideológica. Os direitos democráticos
e, sobretudo, a defesa do bem comum do povo brasileiro devem estar acima de
interesses particulares de partidos ou de quaisquer outras corporações. É
urgente resgatar a ética na política e a paz social, através do combate à
corrupção, com rigor e imparcialidade, de acordo com os ditames da lei e as
exigências da justiça.
Para preservar e promover a democracia,
apelamos para o diálogo e para a serenidade. Repudiamos o recurso à violência e
à agressividade nas diferentes manifestações sobre a vida política do país, e a
todos exortamos com as palavras do Papa Francisco: “naquele que, hoje,
considerais apenas um inimigo a abater, redescobri o vosso irmão e detende a
vossa mão! (...) Ide ao encontro do outro com o diálogo, o perdão e a
reconciliação, para construir a justiça, a confiança e a esperança ao vosso
redor” (Mensagem para a Celebração do XLVII Dia Mundial da Paz, 1º de janeiro
de 2014, 7).
Confiamos o Brasil ao Senhor da vida e
da história, pedindo sabedoria para os governantes e paz para nosso povo.
Imaculada
Conceição, vosso olhar a nós volvei, vossos filhos protegei!
