terça-feira, 30 de junho de 2026

Michelle Bolsonaro deixa comando do PL Mulher para cuidar de Jair Bolsonaro

Ex-primeira-dama afirma que decisão foi tomada em conjunto com o marido e ocorre em meio a tensões internas no partido e na família Bolsonaro

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou, nesta terça-feira (30), sua saída da presidência do PL Mulher, segmento feminino do Partido Liberal. A decisão, segundo ela, foi motivada pela necessidade de dedicar-se integralmente aos cuidados do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária temporária.

O anúncio foi feito após uma reunião de aproximadamente duas horas com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, na sede da legenda, em Brasília.

Em nota, Michelle afirmou que a decisão foi tomada após refletir sobre o momento vivido por sua família.

"Após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, comuniquei minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar integralmente aos cuidados do meu marido e da minha filha", declarou.

Na mensagem, a ex-primeira-dama também agradeceu às lideranças femininas da legenda, destacou o trabalho realizado ao longo de sua gestão e reforçou o desejo de ver mais mulheres ocupando espaços de liderança na política.

Também por meio de nota, Valdemar Costa Neto afirmou que o crescimento do Partido Liberal ampliou os desafios internos da sigla e declarou apoio à decisão de Michelle.

Segundo ele, a ex-primeira-dama realizou um trabalho relevante à frente do PL Mulher, mas optou por priorizar o cuidado com Jair Bolsonaro neste momento.

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão desde novembro de 2025 e atualmente permanece em prisão domiciliar por decisão judicial de caráter humanitário.

A saída de Michelle acontece poucos dias após o agravamento das divergências públicas entre ela e o senador Flávio Bolsonaro.

Na semana passada, Michelle divulgou um vídeo afirmando ter sido "humilhada, desrespeitada e maltratada" por Flávio durante uma conversa telefônica ocorrida em novembro do ano passado. O episódio teria sido motivado por divergências sobre alianças políticas no Ceará.

Após a reunião com Valdemar Costa Neto, Michelle também se encontrou com a senadora Damares Alves e com a governadora Celina Leão.

Nos bastidores, aliados apontam que a decisão também ocorre em meio às tensões envolvendo integrantes da família Bolsonaro. Há relatos de que Michelle suspeita que Flávio e o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro estejam ligados à disseminação de ataques e informações falsas contra ela nas redes sociais. As alegações, no entanto, não tiveram confirmação pública nem foram objeto de decisão judicial.

Com a saída de Michelle, o Partido Liberal deverá definir, nos próximos dias, quem assumirá o comando nacional do PL Mulher. 

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