quarta-feira, 10 de junho de 2026

Denúncia do PT leva MPPE a investigar possível cartel dos combustíveis em Arcoverde

             Uma denúncia apresentada pelo Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) de Arcoverde resultou na abertura de um inquérito civil pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para apurar indícios de cartel e possíveis práticas abusivas no mercado de combustíveis do município.

A investigação foi formalizada pela 1ª Promotoria de Justiça de Arcoverde e publicada no Diário Oficial do Ministério Público desta quarta-feira (10). O procedimento é conduzido pelo promotor de Justiça Edson de Miranda Cunha Filho e tem como objetivo verificar a regularidade da formação dos preços praticados pelos postos de combustíveis da cidade.

Segundo a representação protocolada pelo PT, houve uma elevação repentina e simultânea do preço da gasolina comum em Arcoverde. De acordo com a denúncia, à época, o litro do combustível saltou de R$ 6,15 para R$ 6,69 em poucos dias, comportamento considerado atípico e que levantou suspeitas de possível alinhamento entre os estabelecimentos do setor.

As suspeitas apresentadas pelo partido ganharam força após fiscalizações realizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Conforme consta na portaria do Ministério Público, os levantamentos identificaram que a grande maioria dos postos fiscalizados comercializava a gasolina comum exatamente pelo mesmo valor: R$ 6,69 por litro. Hoje, comercializam a R$ 8,89

Os dados foram registrados nos Documentos de Fiscalização (DF) nº 704428 a 704439 e passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pelo MPPE.

Na avaliação do órgão ministerial, o chamado paralelismo de preços, quando diversos concorrentes adotam valores idênticos sem justificativas aparentes relacionadas a custos ou tributos, pode representar indício de infração à ordem econômica prevista na Lei nº 12.529/2011, que disciplina a defesa da concorrência no país.

Além da possível formação de cartel, o inquérito investiga eventual violação ao Código de Defesa do Consumidor. O Ministério Público destaca que reajustes sem justificativa econômica podem configurar cobrança de vantagem manifestamente excessiva, prática vedada pela legislação brasileira.

A atuação do MPPE ocorre nas áreas de Defesa do Consumidor e Defesa da Ordem Econômica, consideradas estratégicas para garantir a livre concorrência e proteger a população de possíveis abusos no mercado.

Durante as inspeções realizadas pela ANP, também foram constatadas irregularidades administrativas e operacionais em alguns estabelecimentos revendedores de combustíveis.

Entre os problemas identificados estão ausência ou desatualização de documentação obrigatória, falta de informações claras sobre a origem dos combustíveis, descumprimento de normas de segurança durante o abastecimento de motocicletas e a não realização de testes obrigatórios de qualidade dos produtos comercializados.

Para aprofundar a apuração, o promotor Edson de Miranda Cunha Filho determinou uma série de diligências envolvendo órgãos de fiscalização e instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal. 

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