Ao lado do governador
interino Ricardo Couto, Lula afirmou que, caso a escolha do novo chefe do
Executivo fluminense tivesse ficado sob responsabilidade da Assembleia
Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o estado poderia acabar sendo
governado por alguém ligado às milícias.
“Se a Assembleia
tivesse que indicar, ia vir um miliciano”, declarou o
presidente durante discurso no evento.
Na fala, Lula pediu que
Ricardo Couto aproveite o período à frente do governo estadual para enfrentar o
avanço das organizações criminosas no estado.
“Não é possível que
esse estado poderoso, bonito, seja governado por milicianos. O povo do Rio não
merece isso”, afirmou.
O presidente também defendeu
ações mais duras contra grupos criminosos e cobrou investigações envolvendo
agentes públicos ligados às milícias.
“Prenda todos que
governaram esse estado e os deputados que fazem parte de uma milícia
organizada”, disse Lula.
Ricardo Couto assumiu o
comando do Executivo estadual após a renúncia do ex-governador Cláudio Castro.
Antes disso, ele presidia o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Nos bastidores políticos, o
grupo aliado de Cláudio Castro articulava uma eleição indireta na Assembleia
Legislativa para definir o novo governador, movimento posteriormente barrado
por decisões judiciais.
Durante o evento, Lula
também afirmou que o governo federal pretende ampliar ações de combate ao
domínio territorial de facções criminosas e milícias em comunidades do Rio de
Janeiro.
“Não é possível que a
cidade mais conhecida do mundo continue como local onde facções tomaram conta
do território”, declarou.
As declarações provocaram
reação imediata da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, que
divulgou nota oficial criticando as falas do presidente.
Segundo o comunicado, a
Alerj afirmou que “respeita as instituições da República e espera o mesmo
respeito por parte de todas as autoridades do país, inclusive do Presidente da
República”.
A nota também classificou
como “inaceitável” qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o
Parlamento fluminense e seus representantes eleitos.
O episódio amplia a tensão política entre o Palácio do Planalto e setores da política fluminense em meio ao debate sobre segurança pública e combate às organizações criminosas no estado.
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