quinta-feira, 2 de abril de 2026

Uso de aeronave privada por Dias Toffoli entra no radar após revelações de documentos oficiais

                Registros de órgãos federais trouxeram à tona novos elementos sobre deslocamentos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), envolvendo o uso de aeronaves privadas vinculadas a empresários. As informações foram reveladas em reportagem do jornal Folha de S.Paulo e têm como base dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).

De acordo com os documentos, o ministro teria embarcado, em 4 de julho de 2025, em uma aeronave operada pela Prime Aviation, empresa que tinha entre seus sócios o banqueiro Daniel Vorcaro. O voo partiu de Brasília com destino a Marília, cidade natal de Toffoli, poucos minutos após o registro de sua entrada no terminal executivo do aeroporto da capital federal.

No mesmo dia, houve o deslocamento de agentes de segurança vinculados ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região para a cidade de Ribeirão Claro, onde está localizado o resort Tayayá — empreendimento situado a cerca de 150 quilômetros de Marília. Segundo informações oficiais, a mobilização ocorreu a pedido do STF para atender uma autoridade, sem detalhamento público adicional.

A apuração também indica que, ao longo de 2025, foram registrados ao menos dez acessos do ministro ao terminal executivo de Brasília, utilizado por aeronaves particulares. O cruzamento com dados de tráfego aéreo sugere que, em seis dessas ocasiões, voos teriam sido realizados em aeronaves privadas — cinco delas pertencentes a empresários.

Em nota, a Prime Aviation informou que não divulga informações sobre passageiros ou contratantes de voos, citando cláusulas de confidencialidade e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Outro ponto que surge no contexto das investigações envolve a estrutura societária relacionada ao resort no Paraná. Segundo reportagens, o empreendimento teria sido adquirido por meio de fundos de investimento conectados a pessoas próximas ao banqueiro, incluindo o pastor Fabiano Zettel, citado como cotista de um dos fundos envolvidos.

Até o momento, nem o ministro Dias Toffoli nem a defesa de Daniel Vorcaro se manifestaram oficialmente sobre os fatos. O caso levanta questionamentos sobre a relação entre autoridades públicas e o uso de serviços privados, tema que frequentemente desperta debate sobre transparência e ética na administração pública. 

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