Com
base na delação de executivos do frigorífico JBS, o procurador-geral da República,
Rodrigo Janot, pediu a instauração de inquérito no Supremo Tribunal Federal
(STF) contra o senador José Serra (PSDB-SP) para investigar o crime de caixa
dois. Também com base na colaboração da JBS, ele solicitou que seja aberto
outro inquérito para investigar o goverandor do Rio Grande do Norte, Robinson
Faria (PSD), e seu filho, o deputado Fábio Faria (PSD-RN), por caixa dois e
corrupção passiva.
Serra
foi acusado por Joesley Batista, dono da JBS, de ter recebido doações da
empresa durante a campanha de 2010 por meio de caixa dois. Na época ele era
candidato a presidente da República. Teriam sido repassados cerca de R$ 20
milhões, dos quais R$ 13 milhões declarados à Justiça Eleitoral e o restante
por meio de notas fiscais frias.
Janot
pediu que o ministro Edson Fachin, relator da delação da JBS no STF, instaure o
inquérito. Mas solicitou também ele seja depois redistribuído, ou seja, vá para
sorteio eletrônico para que a escolha do relator se dê entre todos os
integrantes da corte. Janot pediu também que os autos sejam encaminhados à
Polícia Federal (PF) e que seja autorizado o depoimento de Serra.
Robinson
e Fábio Faria são acusados de terem recebido R$ 10 milhões na campanha de 2014
em troca da promessa de que privatizariam a Companhia de Água e Esgoto do
Estado do Rio Grande do Norte (Caern). Parte das doações não foi declarada à
Justiça Eleitoral. Assim como no caso de Serra, Janot pediu que Fachin autorize
a abertura do inquérito, mas solicitou também que ele seja depois redistribuído.
Pediu ainda que pai e filho sejam ouvidos.
Os
dois pedidos de Janot foram feitos em 29 de junho. Como o STF está de recesso
no mês de julho, uma decisão a respeito poderá ser tomada apenas em agosto.
