Procuradores
que atuam nas investigações de autoridades com foro privilegiado enxergaram no
gesto do deputado de aceitar o pedido de impeachment de Dilma uma
tentativa de vincular seu pedido de afastamento por Rodrigo Janot a um ato
pró-governo. Além de apresentar o pedido de afastamento do líder da Câmara
junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador estaria prestes a
concluir a denúncia contra o deputado por crimes de evasão de divisas,
peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, no caso das contas
bancárias mantidas na Suíça.
Os
promotores da PGR também investigam o envolvimento da família de Cunha nos
ilícitos denunciados. Juntos, ele, a mulher a filha são formalmente acusados de
receber e manusear US$ 5 milhões em propina, a partir de contratos da Petrobras
para operação de navios-sonda da Petrobras, no âmbito da Operação Lava Jato.
Enquanto
não é afastado, Cunha conseguiu afastar do cargo, ainda na quarta-feira, o
líder do PMDB, o deputado Leonardo Picciani (RJ). Cunha, que havia feito
campanha para que Picciani assumisse o posto, articulou para que ele
perdesse a posição na qual negociou com o governo a nomeação de três ministros.
A negociação para derrubar Picciani teve a participação do vice-presidente da
República, Michel Temer, e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), segundo
parlamentares ouvidos pelo CdB. E pela sexta vez, Cunha conseguiu adiar a
sessão do Conselho de Ética que analisa sua cassação.
