sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Carta de 35 bispos católicos aponta candidatura de Flávio Bolsonaro como ameaça à democracia

Documento pede voto em defesa da democracia, dos pobres e dos valores humanitários e critica posições atribuídas ao candidato em temas como direitos trabalhistas e soberania nacional.

Uma carta assinada por 35 bispos católicos de diferentes dioceses do Brasil colocou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) no centro de críticas sobre democracia, soberania nacional e direitos sociais. Divulgado nesta quinta-feira (22), o documento classifica a candidatura como uma ameaça à “existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum”.

A carta, divulgada pela Folha de S.Paulo e repercutida pelo jornal O Globo, convoca os católicos a votarem “em defesa da democracia, dos valores humanitários, dos pobres”. Os religiosos afirmam que o cenário eleitoral é “muito grave” e sustentam que a disputa vai além de uma escolha eleitoral convencional, podendo representar uma mudança profunda nos rumos do país.

Sem citar nominalmente Flávio Bolsonaro em todos os trechos, os bispos apresentam críticas que associam a uma das candidaturas em disputa, apontando divergências com princípios da doutrina social da Igreja Católica.

Entre os pontos destacados está a posição atribuída ao candidato sobre o fim da escala de trabalho 6x1. Segundo a carta, a candidatura contrária à proposta não reconheceria a dignidade dos trabalhadores e poderia retomar essa posição.

O documento também critica o que classifica como promessa de submissão aos Estados Unidos e menciona a participação de um dos candidatos em articulações relacionadas à taxação de produtos brasileiros, em referência ao tarifaço determinado pelo presidente norte-americano Donald Trump.

Outro trecho faz referência ao histórico político da família Bolsonaro. Os signatários citam o fato de Flávio ser filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado e preso por atentados à democracia. A carta também aponta declarações do senador que, na avaliação dos religiosos, representariam ameaças à ordem constitucional.

Os bispos ainda contestam a afirmação atribuída ao candidato de que governaria com maioria absoluta no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal (STF).

A divulgação do documento ocorre na reta final da campanha presidencial, em meio à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. Os religiosos defendem que o voto considere princípios como dignidade humana, justiça social, democracia e proteção aos mais pobres. 

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