terça-feira, 14 de abril de 2026

Sessão marcada por tensão e impasses expõe crise política na Câmara de Arcoverde

           A noite desta segunda-feira (13) entrou para a história recente de Arcoverde como uma das mais movimentadas e politicamente tensas no Legislativo municipal. A Câmara de Vereadores de Arcoverde foi palco de uma sessão acompanhada por grande público e cercada de expectativa em torno de possíveis desdobramentos envolvendo processos de possível cassação de parlamentares.

O foco principal recai sobre o presidente da Casa, Luciano Pacheco, e o vice-presidente, Claudelino Costa. No entanto, apesar da expectativa, apenas a situação de Pacheco dominou os debates iniciais. No plenário, vários vereadores e presidentes de casas legislativas de outras cidades, além do suplente de deputado estadual Cayo Albino (PSB).

A primeira parte da sessão foi consumida por um impasse em torno da leitura da ata de uma sessão extraordinária anterior, na qual foi formalizada a denúncia contra o presidente da Câmara. Após discussões entre os parlamentares, o documento acabou sendo lido pela vereadora Célia Galindo, 1ª Secretária da Mesa Diretora.

No conteúdo, foi reforçado o direito à ampla defesa do parlamentar e estabelecido o prazo para apresentação de sua defesa, previsto para se encerrar nesta terça-feira (14).

Luciano Pacheco voltou a contestar a legalidade da sessão extraordinária que originou o processo, alegando irregularidades no procedimento e afirmando não reconhecer as deliberações adotadas. Em contraponto, vereadores defenderam a legitimidade das decisões com base na soberania do plenário.

Durante sua fala, o presidente da Câmara fez um resgate de sua trajetória política e adotou um tom de resistência diante das acusações. Citou passagens bíblicas para ressaltar sua fé na justiça e na verdade. Ele afirmou que seguirá na disputa política e ressaltou que eventuais decisões podem ser analisadas pelo Poder Judiciário.

O ambiente permaneceu acalorado por cerca de uma hora e meia, sem que a denúncia envolvendo o vice-presidente Claudelino Costa fosse efetivamente pautada. Em sua fala, Claudelino destacou que apesar das acusações que vem sofrendo não é e nem será candidato a presidente da Câmara.

A movimentação popular foi intensa. As portas da Câmara foram fechadas antes do início da sessão, devido à lotação do espaço. Parte do público se concentrou na área externa, na Avenida Coronel Antônio Japiassu. Durante toda a noite, a Polícia Militar de Pernambuco permaneceu no local para garantir a segurança, diante do clima de tensão e da presença de apoiadores do presidente da casa legislativa e servidores públicos municipais. A Guarda Civil Municipal protestou por nota, por ter sido impedida de atuar na câmara.

O processo segue agora para uma fase decisiva. Com o encerramento do prazo de defesa nesta terça (14), caberá à comissão responsável emitir um parecer sobre a admissibilidade da denúncia. Caso seja aceita, será instaurada uma comissão processante para aprofundar a apuração.

O andamento, no entanto, ainda pode sofrer interferências judiciais, o que é mais provável, mantendo o cenário político em aberto e sob forte expectativa nos próximos dias. 

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