Com
pouco mais de 21 mil habitantes, a cidade de Pedra, localizada no Vale do
Ipanema, Agreste Pernambuco, decretou estado de calamidade pública na última
quinta-feira. O anúncio torna oficial a gravidade da situação de saúde local,
após uma alta inédita nos casos de chikungunya e dengue nos últimos 30 dias.
Segundo
o decreto da Prefeitura, no dia com maior fluxo de pacientes, 260 pessoas foram
atendidas no Hospital Justino Bezerra Alves, único da cidade. O município tem
apenas 7.800 residências. Em publicação no site oficial da Prefeitura de Pedra,
é dito que há um “surto de virose que está amedrontando a população do
município”.
O
vice-prefeito Eliaz Soares (PT), também com sintomas, conta que na sua própria
casa todos apresentam características da doença, como febre alta, dores
musculares, nas articulações e também na cabeça. “Na verdade é uma raridade
encontrar uma pessoa que ainda não adoeceu”, comenta. “Pra você ter uma ideia,
nas últimas semanas 3,750 pessoas foram atendidas no Hospital Municipal, todas
elas com esses sintomas. O hospital tem capacidade entre 20 e 25 leitos.” Em 45
dias, foram registrados 5.047 casos suspeitos.
Ele
relata que, no munícipio onde 49% da população vive em área rural, há uma
dificuldade das instituições locais em controlarem a situação. “Pedra está
incapacitada financeiramente para atender as pessoas. Nossa equipe de endemia
tem nove agentes, precisamos da medicação correta e lavircida para conter o que
tem ocorrido.” Segundo Eliaz, foram enviadas 100 amostras para a Secretaria
Estadual de Saúde (SES). Destas, três foram avaliadas e confirmaram
dengue/chikungunya. “Então, isso é um forte indício de que os outros casos
sejam o mesmo.”
Entre
as dificuldades citadas pela Prefeitura de Pedra para conter a doença estão a
falta do veneno larvicida - usado no tratamento da água -, e a ainda
insuficiente conscientazação da população em extinguir os possíveis criadouros
dos mosquitos transmissores. Segundo Claudenice Pontes, coordenadora do
programa de controle da dengue e chiquigunha da Secretaria Estadual de Saúde, o
larvicida deve ser utilizado somente como último recurso para reduzir os casos
da doença.
