terça-feira, 24 de novembro de 2015

Pedra decreta estado de calamidade pública por causa da chikungunya e dengue

          Com pouco mais de 21 mil habitantes, a cidade de Pedra, localizada no Vale do Ipanema, Agreste Pernambuco, decretou estado de calamidade pública na última quinta-feira. O anúncio torna oficial a gravidade da situação de saúde local, após uma alta inédita nos casos de chikungunya e dengue nos últimos 30 dias.

Segundo o decreto da Prefeitura, no dia com maior fluxo de pacientes, 260 pessoas foram atendidas no Hospital Justino Bezerra Alves, único da cidade. O município tem apenas 7.800 residências. Em publicação no site oficial da Prefeitura de Pedra, é dito que há um “surto de virose que está amedrontando a população do município”.

O vice-prefeito Eliaz Soares (PT), também com sintomas, conta que na sua própria casa todos apresentam características da doença, como febre alta, dores musculares, nas articulações e também na cabeça. “Na verdade é uma raridade encontrar uma pessoa que ainda não adoeceu”, comenta. “Pra você ter uma ideia, nas últimas semanas 3,750 pessoas foram atendidas no Hospital Municipal, todas elas com esses sintomas. O hospital tem capacidade entre 20 e 25 leitos.” Em 45 dias, foram registrados 5.047 casos suspeitos.

Ele relata que, no munícipio onde 49% da população vive em área rural, há uma dificuldade das instituições locais em controlarem a situação. “Pedra está incapacitada financeiramente para atender as pessoas. Nossa equipe de endemia tem nove agentes, precisamos da medicação correta e lavircida para conter o que tem ocorrido.” Segundo Eliaz, foram enviadas 100 amostras para a Secretaria Estadual de Saúde (SES). Destas, três foram avaliadas e confirmaram dengue/chikungunya. “Então, isso é um forte indício de que os outros casos sejam o mesmo.”

Entre as dificuldades citadas pela Prefeitura de Pedra para conter a doença estão a falta do veneno larvicida - usado no tratamento da água -, e a ainda insuficiente conscientazação da população em extinguir os possíveis criadouros dos mosquitos transmissores. Segundo Claudenice Pontes, coordenadora do programa de controle da dengue e chiquigunha da Secretaria Estadual de Saúde, o larvicida deve ser utilizado somente como último recurso para reduzir os casos da doença.