domingo, 31 de março de 2019

Paulo Câmara critica comemoração do golpe de 64 com general no comando do País na data da intervenção


            O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), fez coro às críticas à recomendação do Palácio do Planalto ao Ministério da Defesa para que o aniversário de 55 anos do golpe de 1964, neste domingo (31), fosse comemorado nos quartéis. Aliado do socialista, o prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), escreveu um artigo para questionar a determinação do governo.

“A ditadura vigente de 1964 a 1985 vitimou milhares de cidadãs e cidadãos, perseguidos, presos, torturados, exilados e assassinados. Por décadas, seccionou o país, apartou civis e militares. Comemorá-la em nada contribui para a urgente pacificação que o Brasil necessita, de forma a que possa enfrentar, unido, os grandes desafios à frente”, afirmou Paulo Câmara em nota publicada neste sábado (30) no Instagram.

“Causa, portanto, estranhamento e surpresa à cidade natal de Paulo Freire a notícia de que há o que se celebrar em relação aos acontecimentos que envolveram o Brasil em uma sombria penumbra entre os anos de 1964 e 1985. Não há o que se comemorar. Há sim, o que não esquecer, pois um povo que desconhece o seu passado é incapaz de construir um futuro melhor para a coletividade. Sendo assim, vamos rememorar”, disse Geraldo Julio no artigo.



Ditadura - Após os questionamentos, Bolsonaro afirmou que não pediu para que os quartéis “comemorassem” a data de 31 de março, e sim que rememorassem. “Não foi comemorar. Rememorar, rever, ver o que está errado, o que está certo. E usar isso para o bem do Brasil no futuro”, declarou após participar de cerimônia de aniversário da Justiça Militar, na qual foi condecorado.

Dias antes, porém, em entrevista coletiva, o porta-voz da Presidência da República afirmou que “o presidente não considera 31 de março de 1964 um golpe militar”. Segundo Rêgo Barros, na avaliação de Bolsonaro, sociedade civil e militares, “percebendo o perigo” que o País vivenciava naquele momento, se uniram para “recuperar e recolocar o nosso país no rumo”. “Salvo melhor juízo, se isso não tivesse ocorrido, hoje nós estaríamos tendo algum tipo de governo aqui que não seria bom para ninguém”, afirmou.

Coincidentemente o dia em que há 55 anos acontecia o golpe militar que implantou uma ditadura por 21 anos no Brasil, quem está na presidência do País é exatamente um militar, o General Hamilton Mourão, que assumiu interinamente o comando da Nação com a viagem de Jair Bolsonaro à Israel.

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