quarta-feira, 6 de março de 2019

Lava Jato pede suspeição de Gilmar Mendes


           A força-tarefa da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal do Paraná pediu nesta quarta-feira (6) a suspeição do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes no julgamento de reclamação movida por Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, apontado como operador de propinas em favor de tucanos.

O pedido se baseia em ligações trocadas entre o juiz e o ex-ministro e senador tucano Aloysio Nunes, cujo celular foi apreendido na última fase da Lava Jato. O tucano fez diversos contatos telefônicos com o gabinete de Gilmar em fevereiro deste ano, às vésperas da concessão de um habeas corpus em favor de Paulo Preto, ex-diretor da Dersa (estatal paulista de rodovias).

A decisão de Gilmar anulou a fase final de um processo contra Souza, que investiga desvios de dinheiro público nas rodovias de São Paulo, o que levaria o caso à prescrição. Cerca de duas semanas depois, porém, a liminar foi reconsiderada pelo próprio ministro, já que as diligências na Justiça Federal de São Paulo já haviam sido realizadas ou estavam prejudicadas.

Segundo os registros do celular, o ex-senador tucano fez contato telefônico com o gabinete de Gilmar no dia 11, dois dias antes da concessão da liminar em favor de Paulo Preto. Nas mensagens, o advogado José Roberto Figueiredo Santoro, com quem Aloysio comenta o assunto, chama o ministro do Supremo de "nosso amigo".

O tucano, porém, diz que Gilmar foi "vago, cauteloso, como não poderia ser diferente". "Compreensível, dadas as circunstâncias", escreve. O ex-ministro da Justiça Raul Jungmann também é contatado pelo ex-senador nas mensagens, em busca do número de telefone celular de Gilmar.

Dois dias depois, Santoro celebra em mensagens a concessão do habeas corpus, a que Aloysio comenta: "Nosso causídico é foda!". Para os procuradores, as mensagens demonstram que Aloysio Nunes tem "laços de proximidade de natureza pessoal, diretos e/ou indiretos" com Gilmar, e que ele buscou interferir a favor de Paulo Preto "em contato direto e pessoal" com o ministro do STF.

O pedido de suspeição foi encaminhado via ofício a Raquel Dodge, procuradora-geral da República. Cabe a ela peticionar sobre o caso no STF. O ministro Gilmar Mendes é o relator de uma reclamação movida por Paulo Preto, contra sua prisão decretada no âmbito da Lava Jato.

Postar um comentário

Whatsapp Button works on Mobile Device only

Start typing and press Enter to search