domingo, 15 de julho de 2018

PSB dividido entre apoio ao PT de Lula e ao PDT de Ciro


           O governador Paulo Câmara, vice-presidente nacional do PSB, destacou, na última quinta-feira (12), após reunião com a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, que a “ala pernambucana no PSB é a maior do Brasil” e que faria “todos os esforços para que essa aliança (com o PT) se concretize”. No entanto, a tendência na sigla é de apoio ao PDT, do ex-governador do Ceará, Ciro Gomes. Diante disso, para evitar um racha interno, socialistas já trabalham nos bastidores para liberar os diretórios estaduais e assim conformar as alianças regionais.

Adiar a realização das reuniões da Executiva e Diretório nacionais do PSB, que seriam realizados em 18 e 19 de julho, respectivamente, demonstra a força que Câmara e o governador de São Paulo, Márcio França, possuem na legenda. Eles necessitam de tempo para conciliar interesses. Na Executiva há 42 membros com direito a voto, enquanto o Diretório possui 137 assentos. As decisões são obtidas a partir de maioria simples e o resultado do primeiro tende a ser confirmado no segundo, que é o decisório. Estes órgãos levarão o direcionamento do partido para a chancela na convenção, que será em 5 de agosto, data limite. 

Pernambuco possui, de fato, a maior bancada na Executiva, com seis votos, e no Diretório, com 19. Entretanto, essa maioria não se traduz em maior quantidade de apoios ao pleito pernambucano, que é se aliar ao PT, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Atualmente, a tese de apoio petista possui de nove a 14 votos na Executiva e de 43 a 54 votos no Diretório, enquanto o apoio ao pedetista teria de 13 a 18 na Executiva e de 83 a 94 no Diretório. Isso porque três estados estão em aberto e dois membros da Executiva e quatro do Diretório podem votar tanto no PT quanto no PDT. 

Segundo Câmara, outros estados do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste também têm interesse em apoiar o ex-presidente Lula, porém, ao ser questionado, não especificou quais. Juntos, os estados do Nordeste possuem 14 votos na Executiva e 47 no Diretório, mas os membros do Piauí e de Sergipe tendem a votar em Ciro Gomes. O do Ceará pode votar tanto no pedetista quanto no petista. No Norte, apenas Amapá e Acre estariam fechados com o PT. Os demais estados da região estão em abertos ou inclinados ao PDT.

Já os estados do Centro-Oeste gostariam de votar no ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), porém, como uma resolução do partido determina aliança apenas a siglas de centro-esquerda, como PT, PDT, PCdoB e PSOL, estes membros devem optar por Ciro Gomes.

Os estados do Sudeste e do Sul tendem a votar em peso no pedetista, totalizando 19 votos na Executiva e 60 no Diretório. Nos últimos anos, a ala pernambucana perdeu dois grandes aliados tradicionais, o Rio Grande do Sul e o Paraná, que computam oito votos na Executiva e 16 no Diretório. Os paranaenses desejam apoiar o Podemos, do senador Álvaro Dias, mas, se não for possível, tendem a votar no ex-governador do Ceará. 

Diante dessas variáveis, a neutralidade, outrora rechaçada, voltou a ser uma opção para evitar que a legenda saia rachada dessa eleição presidencial. 

Mesmo esboçando confiança nas declarações, Câmara não possui nem o apoio de todos os aliados pernambucanos. Um dia depois do governador dizer que empreenderá todos os esforços para viabilizar o apoio ao PT, o deputado federal Felipe Carreras (PE) afirmou, via Twitter, que não votará no ex-presidente Lula e nem em deputado do PT. Da Folhape.

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