terça-feira, 15 de maio de 2018

Filme Nena Cajuína é destaque no Festival de Cinema e Teatro do Sertão


              Com realização da Alastrado Produções, Nena Cajuína,  curta dirigido por Almir Guilhermino, integra a programação do I Festival de Cinema e Teatro do Sertão, agendado para os dias 17 e 19 de maio, em Salgueiro. O filme narra um episódio envolvendo uma das ex-prostitutas mais famosas do Sertão de Pernambuco: Nivalda Rafael de Siqueira, 67 anos, mais conhecida como Nena Cajuína.

Em 2013, a Câmara de Vereadores de Arcoverde aprovou, por unanimidade, uma proposta de homenagem com a entregada Medalha de Honra ao Mérito Cardeal Arcoverde, a mais alta comenda entregue pelo legislativo, dada a personalidades que possuem serviços prestados no município.

A iniciativa provocou polêmica e levantou discussões sobre prostituição e preconceitos que cercam a profissão. Cheia de aventuras e sofrimento, a vida de Nena retrata a trajetória de muitas mulheres que acabaram seguindo o mesmo caminho. Mesmo sendo homenageada, ela diz que teve vergonha e não quis receber a comenda.

Nena Cajuína conta que começou a se prostituir aos 13 anos. Quando alguém reclamava, afirmava ser dona da própria vida. Atualmente, é proprietária de um bar no bairro de São Cristóvão, de onde tira seu sustento. Ela teve três filhos, mas apenas um deles continua vivo.

Mesmo com a homenagem da Câmara, o preconceito ainda existe nas ruas. Nena é alvo de piadas, mas não perde o bom humor. “Tem homens que eram apaixonados por mim e hoje me chamam de vó, de tia”, revela. 

A homenagem a Nena Cajuína foi proposta pela vereadora Célia Almeida Galindo (PSB) e aprovada por unanimidade pelos dez parlamentares do legislativo municipal. A vereadora faz questão de frisar que a medalha não foi oferecida por serviços prestados, mas pela pessoa, história de vida, e pelo caráter da homenageada. Célia foi a primeira mulher eleita para o legislativo de Arcoverde. Para ela, as críticas à iniciativa são puro preconceito.

Além da direção, Almir Guilhermino também é o responsável pelo roteiro e pela fotografia do curta, cuja trilha sonora tem a assinatura do músico Lirinha (ex-Cordel do Fogo Encantado), filho de Arcoverde.

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