sexta-feira, 27 de abril de 2018

Lava Jato filma entrega de dinheiro para comprar silêncio de ex-assessor do PP


          A Operação Lava Jato acompanhou e registrou em vídeo, em fevereiro, duas entregas de dinheiro a José Expedito Rodrigues Almeida, ex-assessor do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do Progressistas. A gravação foi uma "ação controlada" da Polícia Federal, isto é, uma operação planejada com o auxílio do próprio Almeida, que procurou a PF para denunciar um esquema de captação de propina de políticos do PP, entre os quais Nogueira e o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE).

O advogado de Ciro Nogueira, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que não há "qualquer indício de envolvimento do senador com qualquer ilícito" (leia a íntegra da manifestação do advogado ao final desta reportagem). O G1 procurou a assessoria de Eduardo da Fonte e aguardava resposta.

Segundo Expedito Almeida, o dinheiro – R$ 5 mil na primeira entrega, em 26 de fevereiro, e R$ 1 mil na segunda, em 28 de fevereiro – destinava-se à compra do silêncio dele.

O ex-assessor disse à PF que as entregas foram feitas pelo ex-deputado Márcio Junqueira, ex-PP, atualmente no PROS, com o objetivo de que ele, Almeida, ficasse calado ou mudasse o teor de depoimentos dados anteriormente – desfavoráveis a Ciro Nogueira e Eduardo da Fonte (PP-PE). Nos autos da investigação, Almeida afirma que os pagamentos foram feitos “com a ingerência direta desses dois”.

Junqueira foi preso na última terça-feira (24), mesmo dia em que a Polícia Federal cumpriu mandados de busca nos gabinetes e nos apartamentos funcionais do senador e do deputado. Após a ação controlada, Ciro Nogueira, Eduardo da Fonte e Marcio Junqueira passaram a ser investigados por suspeita de obstrução de justiça.

A investigação apontou que, na primeira entrega, “houve nítidos diálogos captados na escuta com referência a Eduardo da Fonte”. Na segunda, a Procuradoria Geral da República reproduziu imagens que mostram que no mesmo dia da entrega, o ex-deputado primeiro esteve na casa de Eduardo da Fonte e, depois, foi repassar o dinheiro a José Expedito.

O dinheiro recebido por Almeida foi apreendido pela PF. O ponto de partida dessa ação controlada foram quatro depoimentos prestados por ele em setembro de 2016, relatando que estava sendo ameaçado.

José Expedito Almeida prestou depoimentos anteriores a esses, que geraram a operação de terça-feira da PF. Nesses depoimentos, disse que repassava dinheiro a mando de Ciro Nogueira.

Essas revelações anteriores fazem parte do inquérito em que Ciro Nogueira e outros políticos do PP são investigados. Em um dos depoimentos nesse inquérito, Almeida apontou um quarto de hotel em São Paulo usado para guardar dinheiro.

Segundo afirmou, era um quarto no Grand Plaza Hotel, na capital. “Eduardo da Fonte, Ciro Nogueira, Marcos Meira e Daividson Tolentino residiram no local por determinado período, sendo o mesmo utilizado para estocagem de dinheiro”, declarou.

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